Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 28/03/2020
No fim de 2013, a reportagem do G1 sobre o caso do menino Marcelo, garoto que assassinou os pais por meio da influência de um jogo televisivo, comoveu o Brasil. De fato, esse caso serve para trazer à tona que a espetacularização da violência demonstrada nos meios midiáticos influência negativamente a sociedade. Além disso, tal fato leva o governo a tratar a ferocidade da população de forma banal, assim corroborando para recorrência dessas práticas. De certo, urge mudanças.
Primeiramente, é relevante observar que, graças ao intermédio midiático, como a sociedade tem mais contato com cenas de violência, com isso esse tipo de conteúdo passou a abalar cada vez menos a sociedade. Sem dúvida, tal fato pode ser explicado pelo pensamento do sociólogo moderno Durkheim, na sua concepção de fato social, que alerta que a sociedade passa a normalizar tudo que é cotidiano e considerar a situação sem resolução, uma vez que já o fato já está intrínseco à nação. Factualmente, isso é alarmante, já que, como o Governo faz parte da população, as autoridades estão sujeitas a tratar a espetacularização da violência como cotidiana e minimizar os projetos de medidas punitivas para lidar com a brutalidade do povo. Além disso, com a falta de medidas propostas pelo Estado, existe um incentivo indireto na continuação da propagação desse tipo de conteúdo.
Outrossim, em consequência à falta de medidas punitivas a sociedade é incentivada a continuar a espetacularização de conteúdos violentos no meio social. Não só, tal coisa é inadmissível e corrobora diretamente para uma sociedade mais violenta. Indubitavelmente, a prova disso é obtida ao observar o pensamento de Marshall McLohan, um dos pais da internet, ao falar que que homem cria a ferramenta e a ferramenta recria o homem. Certamente, o pensador afirma que a mídia é capaz de recriar o caráter do homem a partir do que a sociedade propaga por meio dela. Assim, urge que o povo pare de propagar violência espetacularizada nos meios de comunicação, já que o preço que será pago caso isso não aconteça é um povo cada vez mais violento.
Por fim, é necessário que o Estado, por meio do Ministério da Educação, proponha palestras nas escolas, nas turmas de ensino médio e fundamental, para fazer com que os mais novos entendam que não se deve normalizar um ato de violência. Não somente, essas palestras devem ser financiadas pela verba tributária, como também ministradas por profissionais especialistas. Com certeza, essa medida vai favorecer o Brasil a não mais vivenciar casos como o do jovem Marcelo.