Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 01/04/2020
Em meados do século XIX, a Biologia mostrou, com a Teoria da Evolução, de Charles Darwin, que apenas os seres mais adaptáveis podem sobreviver às vicissitudes da natureza. De maneira análoga, uma nação em busca do desenvolvimento deve se adaptar e superar os desafios da contemporaneidade. Dentre esses, destaca-se no Brasil a questão da espetacularização da violência pela mídia do país. Diante disso, problemas como a banalização da violência e o próprio aumento da supracitada se mostram presentes e devem ser analisados para que haja uma mitigação desse quadro.
Em primeiro lugar, é sabido que a espetacularização da violência pela mídia brasileira causa um panorama de banalização. No filme “O Abutre”, o ator Jake Gylenhaal interpreta um repórter obcecado por se promover em sua empresa e isso faz com que ele chegue a causar acidentes e mortes para ter sempre uma notícia em primeira mão. Sob esse aspecto, o filme faz uma crítica contundente ao funcionamento da mídia de muitos lugares, inclusive do Brasil. Programas como “Cidade Alerta”, “Balanço Geral”, entre outros do tipo insistem em explorar crimes, assassinatos, roubos e violências de todos os tipos. Dessa forma, chegou-se ao cúmulo do apresentador Luiz Bacci noticiar para uma mãe o falecimento de sua filha, o que fez a senhora passar mal e desmaiar, ao vivo, durante uma edição do “Cidade Alerta”, em fevereiro de 2020.
Outrossim, não só a banalização é fruto dessa espetacularização da violência, como também o aumento dessa. Segundo estudo publicado pela “American Medical Association”, nos Estados Unidos, a exposição de crianças à violência na televisão pode acarretar o desenvolvimento de comportamento agressivo, principalmente por conta delas apresentarem um baixo juízo de valor e absorverem grande parte das informações que lhe são apresentadas nessa fase da vida. Logo, a expressão “violência gera violência” faz todo sentido diante dessa realidade.
Fica claro, portanto, que a espetacularização da violência pela mídia nacional é uma mazela social grave e deve ser combatida. Para isso, é necessário que o Governo, por meio do Poder Legislativo, crie leis que regulamentem o jornalismo e a divulgação de notícias, com bloqueio de imagens, áudios e vídeos que possam causar aumento da violência física e psicológica, perturbando a ordem do quadro social. Esse tipo de controle deve ser feito em programas de tv, jornais, redes sociais ou qualquer tipo de mídia presente na atualidade. Dessa forma, caminharemos rumo a uma sociedade devidamente adaptada, em que a mídia procura informar e alertar a população, e não fazer da violência um espetáculo, ratificando assim a teoria de Darwin.