Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 31/03/2020

Durante o Estado Novo, Getúlio Vargas criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), que, embora atuasse mostrando somente os pontos positivos do Governo, buscava obter uma repercussão nacional. Nesse contexto, ao considerar notícias de cunho violento, nota-se a influência do DIP nas mídias do Brasil atual, uma vez que elas, geralmente, dão uma grande cobertura a tais fatos, a fim de conseguir mais audiência. Cabe, então, analisar as principais consequências desse quadro, com o objetivo de minimizá-lo.

A princípio, é preciso levar em consideração o efeito negativo dessa objetificação da violência nacional pela mídia brasileira: a naturalização de atos violentos. Isso, segundo a filósofa Hannah Arendt, é a banalidade do mal, em que esse é tratado como algo comum, presente em todo lugar sem que ninguém o questione. Dessa maneira, a sociedade brasileira, em sua maioria, passa a encarar aquelas notícias não como um problema do País, mas sim como um fato normal do cotidiano, fazendo com que essa prática continue ocorrendo.

Além disso, em decorrência do imediatismo proposto pelos veículos de informação, nem sempre os fatos são apurados em sua totalidade antes de serem difundidos. Com isso, surgem várias “fake news” - notícias que aparentam ser verdadeiras, mas não possuem uma fonte verídica - , que podem ser utilizadas como ferramentas de manipulação em massa da sociedade. Tal fato pode ser exemplificado pelas eleições norte americanas de 2016, em que hackers russos alteraram os resultados do processo político de modo a favorecer a escolha de um presidente.

Fica nítido, portanto, que a espetacularização da violência por parte das mídias nacionais é um problema que exige medidas urgentes. Assim, cabe ao Governo incentivar os meios de informação a reduzirem a cobertura dessas notícias, por meio da sua transmissão em horários limitados, a fim de fazer com que as pessoas possam voltar a encarar esse quadro como um problema e elaborem soluções para ele. Dessa forma, será possível minimizar a influência do DIP do Estado Novo na atualidade. Paralelamente a isso, cabe às mídias verificar a fonte das notícias, mediante pesquisas de apuração de dados, para que, assim, seja possível diminuir a difusão das fake news.