Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 28/03/2020

Durante o período da Roma Antiga a espetacularização da violência ocorria nos grandes coliseus de batalhas entre seres humanos, onde o povo assistia a esses eventos com bastante entusiasmo. Paralelamente no Brasil, ainda é bastante comum a massiva presença dessa hostilidade promovida principalmente pelos meios midiáticos ocasionando uma naturalização dessa e até mesmo incentivar que futuros acontecimentos venha a realizar-se. Sendo assim, faz-se necessário uma análise a cerca desses problemas a fim de mitigá-los.

Em primeiro lugar, é sabido que os meios midiáticos usam e abusam da utilização de imagens como forma de atrair seu público, muitas vezes com a exposição de vídeos violentos, em que o intuito é chocar o apresentador e que, indiretamente termina por naturalizar essas formas de agressões. Para comprovar isso, é importante citar o sociólogo francês Guy Debord, no qual, em sua obra “A Sociedade do Espetáculo” demonstra que a exposição de fotos, principalmente por intermédio da Industria Cultural é a principal responsável por convencer ideologicamente o leitor ou o telespectador na venda de um determinado produto, nesse caso, termina por ser, indiretamente a naturalização da violência.

Além do mais, esse excesso de espetáculo midiático é responsável por um incremento na quantidade de crimes violentos, principalmente em atos de terrorismo, em que a mídia veicula, por meio de imagens e vídeos, informações de cunho pessoais do perpetrador, o que incentiva outros a realizarem ações similares. Como exemplo disso, tem-se o caso ocorrido em Christchurch, no ano de 2019, no qual um atirador transmitiu em tempo real nas redes sociais os últimos momentos de vida de mais de 50 pessoas, uma vez que o autor dos disparos sabia que sua imagem seria fortemente veiculada na mídia trazendo-lhe fama e divulgação gratuita de seus ideais políticos e filosóficos. Por isso, é de extrema importância que ações sejam feitas para diminuir essa infeliz problemática.

Analisado o exposto, faz-se necessário que o Governo Federal juntamente com o Congresso Nacional, mediante a aprovação de uma lei, imponha um limite diário na veiculação de imagens e vídeos violentos que busque colocá-los em horários mais afastados dos de pico com o objetivo de reduzir a audiência desses programas e consequentemente diminuir a naturalização dessa violência. Além disso, a mídia, como agente de influência e persuasão, deve evitar criar coberturas sensacionalistas em cima de eventos trágicos evitando divulgar informações pessoais e políticas do perpetrador, como foi no caso de Christchurch, em que busque diminuir a quantidade de atentados contra a população. Feito isso, o Brasil terá se afastado dos ideais da Roma Antiga e caminhará rumo ao progresso.