Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 29/03/2020
O papel da mídia na sociedade é informar os acontecimentos de forma objetiva e enfatizar todas as causas e os efeitos da ação noticiada de forma apartidária, o que não ocorre no contexto brasileiro, em que os veículos de informação enfatizam a subjetividade e a visão pessoal das vítimas, principalmente em casos de violência.Tal atitude midiática culminou, no passar dos anos, na espetacularização da violência, que tem como consequências banalização da violência e da vida.
Tal banalização é consequências a valorização da subjetividade, feita pelos repórteres, principalmente da globo, através de perguntas pessoais às vítimas, como ocorreu durante as reportagens acerca do desastre de Mariana (2015).No caso citado, informações como as perdas de casas e mortes são utilizadas para desviar a causa dessa tragédia e a atenção para a culpa da empreiteira vale da violência moral e, considerando determinados moradores de Mariana, física.Ademais, pontuar como as casas foram destruídas causa também uma comparação com a destruição causada por eventos naturais como as enchentes de 2019, o que também banaliza a violência e as perdas que as famílias sofreram, por compará-la a um evento natural.
Além disso, os casos noticiados em jornais virtuais também ignoram a questão da objetividade e lealdade aos fatos, como ocorreu em 2017 com as manchetes que ironizavam a atitude de um tatuador que, ao flagrar um criminoso em sua residência, o puniu com uma tatuagem pejorativa na testa.Tal atitude dos canais de informação comprovam que a violência a grupos marginalizados são consideradas normais perante a sociedade, atitude que é um reflexo da tentativa midiática de transformar torturas, como a da notícia citada, em algo engraçado e que desconsidera o direito humano de se ter uma vida segura.
Assim, as consequências da espetacularização da violência são a banalização da vida e da agressão, que devem ser alteradas através da mudança de comportamento dos jornalistas, por meio de novas condutas, como por exemplo buscar a objetividade e lealdade no que será noticiado.Tal atitude deve ser motivada pelo dono do jornal, por ser o responsável por alterações desse gênero.