Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 05/06/2020
Durante a Roma Antiga, era comum espetáculos sangrentos em arena entre gladiadores, como forma de entretenimento para distrair a população das questões políticas. No entanto, não obstante do contexto brasileiro atual, a mídia, pela busca por audiência, expõe a violência cotidiana de forma desmistificada para chamar atenção do público, deixando de exercer seu papel básico de informar e formar, um meio menos conflituoso para dominar o modo de pensar e agir desse em prol do sistema capitalista, formando uma “Sociedade do Medo’’ e sem senso crítico. Logo, é necessário que haja ações governamentais e educacionais visando o enfrentamento dessa problemática.
Em principio, cabe analisar o papel da mídia no controle do comportamento da sociedade sob perspectiva do sociólogo contemporâneo, Zygmunt Bauman. Segundo o escritor a ‘‘Sociedade do Medo’’ ocorre no modo como é feita a divulgação midiática da violência. Dessa forma, os telejornais exploram a fragilidade humana por meio de matérias sensacionalistas que dão enfoque à dramatização o que condiciona um sentimento de insegurança diante da falta de esclarecimento dos fatos.
Ademais, a influência da mídia atinge também no aumento da violência. Isso ocorre na medida em que, ao ter acesso prévio apenas do que é noticiado pela mídia, o indivíduo é influenciado pelos discursos sensacionalistas que contribuem para prejulgamentos, aumentando as intolerâncias e os preconceitos, sem uma análise crítica dos casos. Dessa maneira, surge uma massa que deixa de buscar por instrumentos jurídicos, como a justiça, para a imposição da violência criado pelo sentimento de medo e revolta da população. Com efeito, tal conjuntura é exposta pelo autor do livro ‘‘Criminalização Midiática’’, Raphel Bolot, onde afirma que o medo se tornou base de aceitação popular para medidas repressivas penais e inconstitucionais, como o linchamento.
Portanto, são necessárias medidas capazes de conter a espetacularização de violência pela mídia brasileira. Logo, afim de minimizar a proliferação do medo na sociedade, cabe ao ministério da educação atuar no senso crítico da população acerca das notícias repassadas pela mídia, evitando prejulgamentos. Isso deve ser feito por meio da promoção de palestras, que, ao serem ministradas em escolas e universidades, oriente os brasileiros no sentido de buscar informações em fontes variadas, possibilitando a construção da sua própria opinião. Outrossim, cabe as entidades governamentais estabelecer os limites éticos na atuação da mídia, segundo o Código dos jornalistas para o acesso democrático à informações, livre de interesses e manipulações sem perder o direito de informar e ser informado. Por fim, é preciso que a mídia banalize menos e instrua mais. Dessa forma, será possível tornar o meio midiático mais seguro para o acesso à informações pela população brasileira.