Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 29/03/2020

Em outubro de 2002, o Brasil assistia pelos noticiários o caso de Suzane Von Richthofen, que assassinou brutalmente os pais. Após a repercussão do crime e a cobertura intensa dos veículos de informação, a história ganha ainda mais destaque com a recente divulgação de dois filmes narrados pela visão dos autores do crime. Diante disso, nota-se que a espetacularização da violência pela mídia provoca como consequência, a banalização da vida e a multiplicação de crimes violentos, sendo um desafio que precisa ser enfrentado pela sociedade.

Uma vez que o papel dos jornalistas e da mídia é importante para a informação dos cidadãos, é extremamente relevante transmitir conteúdos referentes não só ao seu próprio país como do mundo. Porém, quando as notícias vêm acompanhadas de sensacionalismo e a mesma é posta em detrimento das vidas, há um grande prejuízo no psicológico de quem assiste, provocando insensibilidade e indiferença a cada reportagem vista.

Além disso, a multiplicação de crimes hediondos noticiados diariamente faz com que haja uma banalização da vida, onde, de acordo com Reinaldo Azevedo “a vida humana parece ter menos valor a cada dia”. Ademais, ver nos jornais a baixa resolução de crimes e a morosidade da justiça criam a sensação de impunidade, favorecendo o aumento das transgressões da lei.

É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para alterar esse cenário. Cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações assegurar que as informações sejam dadas, porém, sem a valorização excessiva de notícias brutais, para que assim seja contida a banalização da vida. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde instruir, por meio de palestras e propagandas os prejuízos que o excesso de informação negativa traz ao psicológico do cidadão. Assim, a diminuição da sociedade do espetáculo dará lugar a uma comunidade estável, empática e equilibrada.