Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 31/03/2020
Um fator essencial a todo indivíduo é o acesso à informação, que faz com que a sociedade se atualize sobre si e sobre o seu país, seu mundo. Nos meios de comunicação brasileiros, um dos casos mais frequentes é a violência, um tema cujo debate é realmente necessário. Contudo, a partir do momento em que notícias são veiculadas de forma espetacularizada, buscando causar impacto através da exploração da emoção, o sofrimento humano é desconsiderado e a violência é banalizada, tornando-se um instrumento de ainda mais opressão.
Em fevereiro de 2020, o telejornal Cidade Alerta (da Rede Record) informou a uma senhora — ao vivo — de que sua filha havia sido assassinada. Nessa situação, com o uso do sensacionalismo, apenas a busca por audiência foi valorizada, em detrimento ao respeito pelo sofrimento daquela mãe.
Ademais, quando o público é bombardeado com notícias sobre atos violentos, porém de forma teatral, cria-se uma nociva banalização de tal crime. Com isso, o risco de aumento do índice de violência é ampliado, já que tal problema não é visto com a seriedade necessária.
Diante do exposto, conclui-se que há necessidade do Poder Legislativo criar uma regulamentação que evite o abuso de sensacionalismo midiático. Para que tal ação não se torne um mecanismo de censura, é necessário controlar apenas o que fere o direito dos cidadãos, como por exemplo utilizar uma notícia trágica de forma a alavancar a audiência, como aconteceu na matéria do Cidade Alerta. Além disso, é necessário que o Ministério da Justiça divulgue propagandas — em parceria com as emissoras de televisão, rádio e editoras de jornal — que sensibilizem o público sobre a real gravidade da violência. Com isso, será possível diminuir o impacto desse crime na integridade da sociedade.