Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 30/03/2020
É inquestionável o quanto a mídia é necessária para tornar público fatos e ações de um determinado meio social, bem como moldar opiniões dos indivíduos desse meio. Em analogia aos regimes ditatoriais existentes ao longo da História é evidente o poder dos meios de comunicação, sendo esses os primeiros a serem controlados ou reprimidos por tais governos. Porém, desconsiderando todo o conceito utópico da mídia e os benefícios trazidos por ela à sociedade, dependendo da abordagem, os veículos de comunicação podem ilustrar de uma forma ilusória a realidade.
Contrariando a essência da imprensa, a maioria dos principais veículos de informações do Brasil, destaca, apenas, um assunto: a violência. A repetição desse enredo para alguns pode ser maçante ou até exagerado, mas para a maioria é a projeção da realidade resumida em mazelas e com o desprovimento de ações boas , levando assim a banalidade e aceitação de certos delitos.
Por conseguinte, diversos crimes são tratados pela sociedade como algo inevitável em nosso cotidiano. Aludindo aos fatos sociais de Durkheim, definidos como um determinado instrumento social - no caso a mídia -, influenciam as maneiras de agir e pensar de cada indivíduo, seja em programas de fim de tarde ou em grandes matérias que focalizam tudo, menos a realidade social e os motivos da violência retratada por esses meios.
Torna-se claro, portanto, que a especulação da violência pela mídia é abordada de maneira equivocada, assim, faz-se necessária a atuação de grandes emissoras e sindicatos do meio em parceria com órgãos públicos responsáveis, afim de saber as entrelinhas do conteúdo de determinada reportagem , por exemplo, com contextualização. Essas intervenções devem também, estender-se ao meio familiar e educacional, mostrando primariamente aos mais jovens, que a mídia não é detentora da verdade e pode transmitir situações inverossímeis e exageradas. Para que assim seja combatido o esteriótipo criado para a violência.