Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 29/03/2020

Em 1992 a “Escola Base” localizada na cidade de São Paulo foi acusada por diversas mães de alunos que havia nesse local um abuso contra os menores incapazes (crianças), antes de ouvir as autoridades e a defesa da escola, o caso teve uma enorme repercussão midiática e as consequências foram o incêndio a escola, e inúmeras tentativas de homicídio contra seus donos, semanas depois comprovou-se que eram falsas as denúncias. Apesar do caso ser de muitos anos atrás, atualmente persiste no Brasil uma enorme espetacularização da violência pela mídia inflamada por causas sociais e pela falta de resposta legal contra essa mídia “sensacionalista”(que explora a violência em troca de audiência).

Primeiramente, baseando-se na célebre obra “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, a qual é possível observar o quão o meio em que o indivíduo está inserido influencia-o em seu jeito de agir e pensar sobre o mundo. A partir disso, e considerando os números oficiais altíssimos de violência no Brasil, é plausível que o cidadão brasileiro viva em alerta e temeroso à selvageria, somado a isso, a extrema exploração da mídia sobre esse medo tem como resultado o aumento de apoiadores de discursos que busquem vingança contra criminosos confrontando os Direitos Humanos e a justiça, culminando, em alguns casos, com a retaliação privada da população por meio de linchamentos e ameaças.

Outrossim, apesar da Constituição Federal de 1988 assegurar a liberdade de expressão ela também notifica que há uma responsabilização por aquilo que a pessoa física, ou jurídica, emite. Contudo, não há no Brasil uma resposta suficiente para enfrentar a mídia que explora esse tipo de violência, como há na Alemanha com o “Conselho Alemão de Imprensa”, que nasceu posterior ao regime Nazista, com o objetivo de controlar e punir, se for o caso, jornais que explorem o medo alheio através da violência emitida em seus programas, com a existência de uma entidade como essa, histórias como a da Escola Base jamais teriam ocorrido.

Destarte, conclui-se que é mister o combate a espetacularização da violência realizada pela imprensa brasileira. Em primeiro lugar, é necessário que o Poder Executivo Federal emita um decreto possibilitando a criação de uma instituição oficial especializada no combate à exploração da mídia sobre a violência, responsabilizando legalmente quem faça uso irrestrito desse tipo de assunto. Ademais, o Ministério da Educação, junto das Secretarias Estaduais de Educação de todos os 27 Estados da Federação, poderiam realizar palestras de conscientização em escolas públicas, e privadas, para toda a comunidade e alunos, dialogando e mostrando soluções sobre os problemas realizados por esses tipos de notícias que causam temor e ódio na população.