Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 30/03/2020
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1948, considera o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis. Todavia, no Brasil, o direito a segurança perante a banalização da crueldade pela mídia contraria esse princípio, seja pela formação cultural, seja pela inoperância estatal em atender as demandas constitucionais.
Com efeito, no viés da banalização da crueldade, ao longo da história humana, a violência foi representada como um espetáculo, a exemplo na Roma Antiga em que as lutas entre gladiadores no Coliseu tinham o intuito de entreter a sociedade da época. Hodiernamente, nas redes midiáticas, isso pode ser visto não só nas Fake News, mas também em função do imediatismo e da busca por noticiar os fatos em primeira mão, quando na verdade acabam disseminando informações errôneas. Consequentemente, corrobora-se a gerar uma desordem devido a forma como os acontecimentos são passados.
Outrossim, a deficiência de políticas públicas na criminalização das informações falsas e da espetacularização da violência no meio midiático ocasionam a manutenção dos problemas no país. Pois, para Thomas Hobbes, o Estado, em troca da liberdade do cidadão, deve garantir a segurança social. No entanto, a atual condição de precariedade estatal vai de encontro à proposta do pensador. Logo, urge a resolução desse empecilho para que a sociedade se livre, neste caso, da alienação.
Diante o precedente, é preciso que o Governo Federal exerça seu papel de órgão democrático de direito e formule leis que limitem a espetacularização dos acontecimentos realizado pela mídia, por meio de decretos e punições, a fim de acabar com a manipulação nas redes midiáticas. Para que essa ideia se complete na prática, o MEC deve instituir nas escolas, a discussão desse tema por intermédio de palestrantes e especialistas no assunto, com o fito de desenvolver a visão crítica dos jovens diante da imprensa. Assim, a sociedade distanciar-se-á da alienação que contraria a Declaração Universal dos Direitos Humanos.