Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 31/03/2020

No Império Romano, o uso da violência como forma de entretenimento foi amplamente popularizado por massacres que ocorriam em arenas de grandes proporções como o Coliseu. De maneira análoga, a mídia brasileira protagoniza uma busca incessante pela próxima história criminal, de preferência com níveis ascendentes de crueldade. Esse panorama, vísivel, principalmente, no jornalismo televisivo, contribui tanto para glamorização de assassinatos, quanto para exploração emocional dos envolvidos.

Em primeiro plano, nota-se que a representação irresponsável de atos hediondos em programas sensacionalistas vinculados à TV aberta corroboram com a sua normalização. Situação ilustrada pelo escritor inglês Anthony Burgess em seu clássico distópico “Laranja Mecânica” no qual a banalização da ultraviolência leva o protagonista, Alex DeLarge, a desenvolver o seu sadismo. Dessa forma, é deplorável que uma ferramenta tão nobre quanto o jornalismo perpetue esse padrão irrisório.

Vale ressaltar, ainda, a importunação, por parte dos veículos midiáticos, de familiares da vítima em um momento de fragilidade que deveria ser respeitado. Exemplo disso foi a transmissão do jornal Cidade Alerta onde uma mãe recebe a notícia da morte de sua filha ao vivo. Nesse contexto, o capitalismo desenfreado que motiva a busca apelativa por audiência continua a financiar o sofrimento humano em uma situação eu clama por mudança.

Faz-se necessário, portanto, que as grandes emissoras televisivas do país, em parceria com o âmbito acadêmico aprimorem o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, por meio de debates em congressos universitários semenstrais, com análises aprofundadas abordando a problemática em questão. Espera-se, com isso, não só reestabelecer o bom senso, como também quebrar o ciclo da política pão e circo presente no Ocidente desde a República Romana.