Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 19/08/2020

Na Roma Antiga, a violência já era usada como forma de entretenimento da população que ia para anfiteatros para presenciar combates, servindo como método cuja finalidade era de amedrontar e distrair a plateia enquanto banalizava o ato. Consoante a isso, a mesma técnica ainda é utilizada quando casos de homicídios e assaltos são expostos como eventos midiáticos diários, terminando por distorcer a realidade e distanciar a sociedade. Dessa forma, faz-se mister entender as repercussões causadas por esse método.

Em primeiro lugar, a constante dose, proporcionada pela mídia, de violência termina por reduzir, no consciente humano, seu verdadeiro impacto. Segundo a filósofa alemã Hannah Arendt, essa dose diária conforma a população, normalizando tais atitudes, o que distancia os telespectadores do agressor e da dor da vítima. Analogamente, é possível ver essa diminuição do valor do sofrimento alheio no episódio “Urso Branco”, da série britânica Black Mirror, em que uma criminosa vira atração de um parque, e tem sua dor transformada em lazer para outros. Logo, a repetição banaliza os atos e forma indivíduos mais apáticos, os quais terminam por isolar-se da sociedade.

Ademais, a ideia de violência constante, criada pela mídia, faz as pessoas procurarem por mais formas de manterem-se seguras. Consequentemente, é criada uma Indústria do Medo, que segundo o jornal francês LeMonde, forma figuras de potenciais inimigos na mente dos indivíduos, e esses, ao buscar por proteção desses “monstros”, movem essa indústria, comprando câmeras de segurança, cercas elétricas ou pagando para frequentar locais “mais seguros”. Nesse sentido, as diárias demonstrações de violência pela mídia alimentam uma rede de segurança privada, que mentalmente supre a função do Estado e segrega ainda mais a população entre aqueles capazes de pagar e aqueles à margem.

Portanto, em virtude dos fatos mencionados, essa velha técnica ainda se demonstra muito eficaz em colocar medo e naturalizar a violência na sociedade. Sendo assim, o Ministério da Educação, junto a psicólogos, deve desbanalizar atitudes agressivas e seus efeitos, a partir da promoção de oficinais sobre educação emocional para professores, pais e alunos, desde o ensino infantil, nas escolas de todo o país, a fim de gerar um senso crítico mais forte, nas crianças e adultos, capaz de discernir entre o normal e o violento, e assim, gerar uma sociedade menos hostil. Por fim, menos combates serão usados como forma de lazer.