Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 30/03/2020
Baseado nas teorias da socióloga alemã Hannah Arendt, a prática do mal iria se tornar tão inerente a vida que a sua banalização seria inevitável. De fato, a violência aumentou exponencialmente ao ponto de ocupar o assunto principal da mídia, importante vetor na construção intelectual do indivíduo. Entretanto, os meios de comunicação excederam todos os limites da ética ao espetacularizar ações tão bárbaras sem prezar pelo direito de individualidade e propagar tais práticas.
A priori, com o objetivo de cumprir seu papel informativo, mas destacando sua imparcialidade, a mídia enfrentou a linha tênue entre o respeito aos envolvidos e o comentário dos fatos. Porém, a necessidade de atender e conquistar a atenção do público fez com que os meios de comunicação invadissem a privacidade não só das vítimas, mas também dos familiares. Por exemplo, a cobertura televisiva de enterros de celebridades, como o do apresentador Augusto Liberato em 2019, possuindo enfoque invasivo na reação dos filhos, companheira e mãe durante a homenagem. Vale ressaltar que o direito de resguardo que perpassa todos os cidadãos, assim como o respeito a esses são extremamente violados.
Além disso, a excessiva abordagem da mídia sobre a violência atrelada à justiça ineficiente do Brasil cria uma reação em cadeia na sociedade: o sentimento de justiça com os próprios feitos, como constatado pelo aumento nos casos de linchamento, tornando-os mais comuns e, na maioria das vezes, divulgados por vídeos gravados pela população presente e repassados nas redes midiáticas. Logo, veículos de massa, principalmente os jornais, instauram um cenário anômico que apenas alavanca mais barbáries.
Portanto, visto que a mídia participa ativamente na construção intelecto-social dos indivíduos, é necessário aprimorar a maneira como se conduz a informação. Dessa forma, cabe ao Poder Legislativo a definição de limites na abordagem feita durante os casos apresentados, por meio de cessões formuladas e justificadas através da Declaração dos Direitos Humanos e Constituição Brasileira, visando à preservação da individualidade dos envolvidos e ao respeito pela ética fundamental do jornalismo, sem também incitar qualquer prática violenta entre concidadãos.