Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 31/03/2020
“Só falta alguém espremer esse jornal para sair sangue”. Na canção " Jornal da morte" de Roberto Silva, nota-se uma crítica à valorização da veiculação de notícias agressivas. No que tange à mídia brasileira, percebe-se que a espetacularização da violência desencadeia sérios problemas, como o desenvolvimento de cidadãos agressivos e a banalização da morte. Sendo assim, medidas de caráter abrupto precisam ser efetivadas para combater os efeitos impetuosos dessa prática para a população.
Dentro da esfera midiática, o jornalismo é um lugar de debate e reflexão e possui, por estratégia, atrair a atenção do público, o que, por vezes, acontece de maneira sensacionalista, em que manchetes com títulos imoderados recebem destaque, onde crianças ficam expostas a esses noticiários, podendo desenvolver um comportamento agressivo, fato confirmado pelo estudo da “American Medical Association”, nos Estados Unidos.
Dito foi por Jean-Paul Satre que a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota. No âmbito midiático brasileiro, telejornais veiculam notícias pavorosas, como acidentes, assassinatos, dentre outras, onde a sociedade termina por lidar com tal realidade diariamente. Com a repetição das informações, uma espécie de conformismo com a brutalidade das cenas se cria e o inconsciente coletivo já não se afeta pelo contato frequente com a morte de muitos indivíduos.
Portanto, é evidente que a espetacularização da violência pela mídia trás consequências graves e precisa ser extinta. Cabe ao ministério da comunicação abrandar a valorização de notícias que instigam atos de brutalidade e à familia brasileira o dever de controlar o conteúdo assistido pelos filhos na televisão e internet, a fim de diminuir o contato destes com a violência, para que, assim, a exposição excessiva da mesma seja findada.