Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 31/03/2020
No clipe da música The Stage, de Avenged Sevenfold, podemos observar uma sala cheia de pessoas assistindo a um teatro de fantoches. Porém, só são dramatizadas as tragédias sofridas ao longo da humanidade e, logo, a audiência começa a interagir com o espetáculo e, depois, a ser afetada pelos desastres. Hoje, o brasileiro sofre com o jornalismo que faz da violência espetáculo em busca de audiência.
Primeiramente, é importante deixar claro que essa espetacularização afeta a sociedade como um todo. Conforme pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia (UCI) em 2019, quanto mais contato com as notícias ruins veiculadas durante todo o dia, mais o indivíduo passa a sentir desamparo, ansiedade e tristeza. O impacto não é mais limitado para a parcela de pessoas diretamente atingidas pelo problema.
Tendo isto em vista, existem especulações quanto ao porquê dos jornais veicularem tantas tragédias. Segundo a obra Cérebro de Buda, criada por dois neurocientistas, o ser humano se atrai por notícias preocupantes por causa do “viés negativo”. Esta característica evolutiva explica a atração através do instinto: estar atento ao perigo leva a sobrevivência. Logo, procurando mais audiência, os jornalistas fazem uso dessa inclinação, utilizando discursos sensacionalistas e provocando pânico e angústia excessiva.
Portanto, é mister que atitudes sejam tomadas para amenizar o problema. Para que não se exponha somente ao mal, é preciso que a própria sociedade comece a espalhar notícias boas, fazendo uso das ferramentas tecnológicas acessíveis, como o WhatsApp e o Instagram. Afinal, como disse Mahatma Gandhi, “temos que nos tornar a mudança que queremos ver”. Também é preciso que, como o grupo de pesquisa da UCI fez, o Ministério da Saúde oriente a mídia no sentido de reduzir o discurso instantâneo e excessivo. Assim, pouco a pouco essas notícias tomarão menos espaço na mídia.