Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 31/03/2020
O documentário “Junho, o mês que abalou o brasil” retrata de modo impetuoso a revolta populacional contra o aumento das tarifas aos transportes públicos, que ganhou força ao ser espetacularizado pela imprensa devido ás grandes ocorrências de violência entre os reivindicadores e a corporação militar. Mediante a tal fenômeno, ao se analisar o comportamento da mídia brasileira para com as divulgações sociais, nota-se por meio de episódios fatídicos, a banalização da violência, enaltecendo de modo silencioso práticas hostis, logo, tornando-se uma anomalia social. Nesse seguimento, as consequências da problemática, não encontram barreiras para se instalar, corrompendo o papel ético do jornalismo. Convém ressaltar, a principio que a era informacional da tecnologia, é fator predominante nas relações decorrentes da mídia e sociedade, uma vez que, devido a globalização instantânea, a população está cada vez mais sujeita a consumir de modo irresponsável as ideias e opiniões propagadas pela imprensa. Nesse ínterim, emerge a perspectiva do sociólogo Emile Durkheim, sobre a anomalia social, em que se cunha a desintegração das normais sociais, haja vista que as consequências de tal conjuntura implica na socialização afetiva da sociedade, expondo o caráter violento nas relações coletivas. Assim, os perigos iminentes de como as informações são divulgadas, desarticulam a solidariedade, influenciando consequências que invalidam o direito jurisprudente do ser.
Outrossim, a constituição de 1988, prevê no artigo 5º, a isonomia judicial de que todo e qualquer cidadão tem o pleno direito á segurança. No entanto, ao se analisar a conjuntura hodierna do Brasil, torna-se evidente a desestruturação de tal lei, uma vez que o histórico de homicídios do país precede as prática governamental de intervir em ações que colaborem para a atuação da violência. Consequentemente, os episódios de massacre ao direito á vida, como o feminicídio, por exemplo, é discriminado, e o centro de conferência das informações se restringir aos elementos pessoais das vítimas, como as sensações dos familiares, e amigos desfocando da problemática principal. Logo, visões que busquem reformular torna-se iminente e necessárias.
Surge isso a latente necessidade do Estado assumir a tarefa de recrudescer as leis que visem a ética profissional do indivíduo. Tal projeto pode ser iniciado com reuniões entre os poderes legislativo e judiciários, afim de discute quais medidas devem ser impostas á imprensa jornalistica, conscientizando os profissionais a serem mais cautelosos com as divulgações compartilhadas e edificadas sob aspectos que relacionem a violência social, utilizando da ferramente informacional para seu papel primordial que é reivindicar as patologias socioculturais. Desta forma, o direito constitucional e a ética no âmbito jornalistico será preservada, contribuindo para uma civilização mais harmônica.