Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 31/03/2020
É inegável que hoje em dia o jornalismo tem se aproveitado da dor de uma vítima ou de alguém que perdeu um ente querido. Vemos em entrevistas que frequentemente jornalistas tem usado formas abomináveis de abordar as pessoas, buscando o sensacionalismo e segurando a audiência, mesmo que isso custe violentar o direito do uso de imagem e desrespeitando o indivíduo.
Na internet temos um leque de informações, sejam elas falsas ou não, frequentemente os jornais que se preocupam em serem os primeiros a transmitir a noticia acabam se equivocando, não se informando do contexto todo e passando muitos acontecimentos de forma errônea, o que acaba por prejudicar não só o jornal, como também o telespectador que repassa notícias que não contém toda a verdade. Temos dois lados em uma discussão acerca de um caso, pessoas que duvidam da notícia e as que são a favor, tem gente que até cria “teorias da conspiração” como o caso da pandemia que está tomando conta do mundo e causando milhares de mortes todos os dias, há quem diga que é só “uma gripezinha” e se preocupa com a economia, enquanto outros só pensam no grau de letalidade e buscam se proteger de todo modo para não acabar dentro de um caixão sem poder se despedir da família e tendo um velório sem ninguém.
A pergunta que não cala é: como melhorar ou até resolver o problema da banalidade da vida e o sensacionalismo acerca da crueldade humana? Bom, é claro que sempre teremos dualidades, como Hannah arendt diz que “toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história”, mas como contar uma história sem fazer um “espetáculo”? Devemos aprender mais sobre empatia com o próximo, respeitando a dor e evitando fazer perguntas óbvias de casos desastrosos, buscando parar de ter tudo em primeira-mão e diminuindo assim os riscos de notícias falsas ou equivocadas, também é claro, evitar imagens que choquem o telespectador a fim de ganhar audiência e acabar banalizando a violência que ocorre pelo mundo. Buscar os direitos que tem quando se sente em uma posição desconfortável diante da invasão dos jornais com sua vida pessoal que muitas vezes desrespeitam e ganham em cima da morte e acabam por gerar ainda mais dor nos envolvidos.