Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 01/04/2020

O sequestro de Eloá Cristina, ocorrido em 2008, ganhou repercussão mundial, sendo acompanhado de forma simultânea. A mídia interferiu diretamente ao se comunicar com o sequestrador, fato este que, culminou na morte da jovem. Tal conjuntura de dá por diversos aspectos, dentre os quais destacam-se o sensacionalismo exacerbado e a banalização da morte. Dessa forma, torna-se fundamental a reversibilidade do cenário em questão.

Primordialmente, a constante busca por audiência tende a levar os telejornais ao extremo. Tendo como prioridade expor as notícias com exclusividade e rapidez, a propensão para eventuais equívocos se faz presente. Não obstante, a imposição exercida sob as famílias para se conseguir entrevistas e informações sobre o andamento das investigações refletem a careza de sensibilidade e respeito do jornalismo, além de influenciar indiretamente no processo em questão.

Destarte, a exposição a qual os indivíduos são submetidos, seja estando no papel de vítima ou culpado, é um fator visto com frequência. Perseguições, tiroteios e assassinatos são noticiados com naturalidade, como algo comum. Não contendo críticas ou opiniões sobre  os acontecimentos em âmbitos nos quais esses elementos são esperados e vitais.

Portanto, medidas são necessárias para resolver os impasses. Deve-se propor a formulação de uma lei que consista no pagamento de indenizações para as famílias que se sentirem perseguidas e, consequentemente, em risco decorrente da explanação promovida através de reportagens. Além disso, cabe aos jornais priorizarem a qualidade e transparência mediante os acontecimentos, levando ao telespectador a verdade, de maneira que o instigue a refletir e se posicionar diante da realidade do país.