Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 31/03/2020

(MODELO UNESP FUVEST) TÍTULO: Sociedade do espetáculo

A espetacularização corresponde na transformação de um fator rotineiro em espetáculo. Nesse sentido, esta circunstância carrega consigo a consequência de banalização do episódio. Ademais, esse recurso é empregado pela mídia, portando, um jornalismo impregnado por sensacionalismos, muito presente na maneira como a mídia brasileira apresenta a violência. Logo, a espetacularização da violência nos noticiários de TV tende a  dessensibilizar os indivíduos.

De acordo com o escritor Guy Debord, criador do conceito “sociedade do espetáculo”, a sociedade está modelada em converter vidas em espetáculo, ou seja, apenas aqueles que se expõem são seres dotados de vida. Desta maneira, o homem se converte em um ser passivo, incapaz de tomar decisões, fato esse explorado pelas instituições midiáticas, com fito de desumanizar o homem. Desse modo, este cenário corresponde a uma fase específica da sociedade capitalista, quando há uma interdependência entre o processo de acúmulo de capital e o processo de acúmulo de imagens, papel desempenhado pelo jornalismo.

Outrossim, essa mercantilidade de imagens trás como consequência a  valorização da dimensão visual da comunicação, como instrumento de exercício do poder, de dominação social. Além disso, quando vinculado à ação do Estado, de forma concentrada, com a produção de imagens para justificar o poder exercido por seus dirigentes. Em vista disso, processo de recepção de violência através da televisão, do ponto de vista sócio-cultural e psicológico são sequelas de uma não apuração adequada do recurso de informação.

Em suma, fica evidente a toxidade dos noticiários que exploram a crueldade em troca de audiência, afetando o futuro brasileiro, uma vez que desenvolve indivíduos mais agressivos como resposta de uma desvalorização da vida, imposta pelas instituições midiáticas. Assim, reportagens demasiadas expositivas e insensíveis colaboram para normalização da morte. Isto posto, torna-se evidente a necessidade das empresas de comunicação atendam aos princípios de respeito aos valores   éticos e sociais da pessoa e da família.