Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 31/03/2020
No Brasil, vários casos envolvendo violência são noticiados diariamente de forma a espetacularizar as mais diversas formas de agressão, um dos exemplos mais recentes e marcantes ocorreu no programa Cidade Alerta, no qual o apresentador informou, ao vivo, uma mãe do assassinato de sua filha. Nota-se, com isso, que a espetacularização da violência pela mídia pode trazer consequências nefastas para a sociedade. Isso se evidencia não só pela banalização da violência, mas também pela polarização das pessoas em relação à mídia.
De início, é lícito postular que a imprensa banaliza a violência com a forma e o excesso que os crimes envolvendo agressão são noticiados. A quantidade de programas policiais e noticiários que expõem crimes de forma a espetacularizá-los traz a sensação de que a violência é algo normal, apenas outro fator do cotidiano, conforme a reportagem da Rede TVT. Sob tal ótica, a mídia faz um desserviço à população, pois normaliza o comportamento agressivo, corrompendo o cidadão lentamente.
De outra parte, cabe ressaltar que a espetacularização da violência divide os indivíduos em dois extremos, sendo eles a defesa do modo atual de transmissão das notícias que envolvem agressão e a total omissão de tais notícias. Segundo Aristóteles, filósofo da Grécia Antiga, a virtude é alcançada pelo equilíbrio, isto é, os extremos devem ser evitados. À luz dessa perspectiva, a mídia afasta o cidadão do caminho virtuoso e real função da imprensa, que é informar, é esquecida nesse embate ideológico.
Portanto, faz-se imperioso que medidas sejam empregadas para amenizar esse cenário. Assim, o Governo Federal deve instituir aulas nas escolas que incentivem o desenvolvimento de pensamento crítico e fazer palestras nos centros educacionais que demonstrem como identificar o sensacionalismo da mídia, por meio de parcerias público-privadas, de modo a desenvolver atividades que ajudem os estudantes a entenderem o que realmente estão assistindo. Espera-se, com isso, que as consequências da espetacularização da violência pela mídia afetem menos a sociedade que terá jovens mais preparados para lidar com esse tipo de conteúdo.