Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 01/04/2020
Estado de direito
Os meios de comunicação representam os veículos de difusão dos conhecimentos e da população com o mundo. A forma como a mídia, sobretudo no Brasil, reproduz a violência já demonstra como a responsabilidade social é tratada: em segundo plano.
Em primeira análise, a espetacularização do mal incentiva à indiferença. Com efeito, os interesses e motivações de uma pessoa estão relacionados ao que ela vê repetidamente durante anos. É o que se observa nas crianças, que quanto mais programas de cunho violento elas assistem, menos sensibilidade emocional elas expressam.
Além do incentivo à apatia, quando a reitera a cólera a mídia desconsidera o estado de direito. Prova disso, foi o assassinato da dona de casa Fabiane de Jesus, vítima do ódio por ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças. De fato, os assassinos queriam fazer justiça com as próprias mãos, saturados pelas manchetes sucessivas a respeito da impunidade governamental.
Por conseguinte, a imprensa irresponsável tem grande parcela de culpa na difusão da ferocidade. Uma possível solução é restringir a importância e a ênfase ao assunto violência a partir de uma abordagem que valorize o debate e a reflexão. Ainda, o poder público poderia atuar no incentivo à responsabilidade da informação com um órgão verificador a fim de premiar a idoneidade das instituições sem ferir a liberdade de impressa. Dessa forma, o entrave abordado cederia lugar à consciência crítica.