Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 22/06/2020

Morte de inocentes. Idolatria a criminosos. Aumento de crimes. Estas, são algumas das consequências de a mídia, por vezes, tornar a violência um espetáculo, evidenciando-se um problema social, que afeta pessoas relacionadas ao caso e também os espectadores, que a longo prazo, acostumam-se com cenas de criminalidade. Esta realidade, possui como obstáculos para ser combatida no Brasil, o despreparo de repórteres ao transmitir notícias com conteúdo violento, somado a busca implacável de emissoras por audiência.

Nesse contexto, relembra-se o nacional  “Caso Eloá”, no qual uma jovem, mantida em cárcere privado por dias, teve todos os detalhes do andamento do seu caso transmitidos ao vivo, por várias emissoras, vistos, inclusive, pelo seu sequestrador. Com efeito, a adolescente foi morta por ele, e a revolta popular com a irresponsabilidade jornalística foi enorme, devido ao modo como tudo foi noticiado, como se fosse apenas uma fonte de audiência, e não uma real vítima em perigo. Ou seja, não houve preocupação com ela, nem com as possíveis consequências que este tratamento poderia permitir.

Sob esse viés, também relaciona-se o caso do “Sequestro do ônibus 174”, um episódio em que um jovem armado fez de reféns passageiros em um ônibus, que circulava na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ainda que, se tratasse de um assunto urgente que precisava de cobertura pela imprensa, muitos erros foram cometidos pelos repórteres e pela população. Imediatamente, eles formaram ao redor do ônibus uma aglomeração, o que atrapalhou os policiais, que precisavam realizar a negociação e conter as pessoas, e passou a ideia de plateia para o criminoso, que passou a fazer ameaças em forma de performances, além de deixar ainda mais nervosos os reféns. Por fim, duas pessoas morreram: uma das passageiras e o sequestrador.

Portanto, para que as consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira sejam combatidas, são necessárias mudanças no modo como casos que envolvam violência são transmitidos.

Para isso, é preciso que as emissoras realizem, anualmente, um treinamento obrigatório com toda a equipe jornalística, por meio de palestras com membros do BOPE  (Batalhão de Operações Especiais), com a finalidade de sempre esclarecer o que pode e deve ser transmitido e o que não pode, citando também erros já cometidos anteriormente por estes profissionais nesse cenário. Desta maneira, será garantido que a mídia exerça sua função, informar a população, de maneira correta e ética, sem prejudicar, ainda que indiretamente, nenhum civil.