Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 01/04/2020

No período da Grécia Antiga, a narrativa dos grandes feitos heroicos, como em Ilíada e a Odisseia - obras épicas de Homero - se repercutiam cada vez mais na sociedade. Nesse contexto, hodiernamente, observa-se que os jornais adquiriram tal caráter narrativo e, sobretudo, informativo. Todavia, há uma clara espetacularização das reportagens acerca da violência no país, a qual influência negativamente o corpo social, assim como é um veículo, em muitos casos, divulgador de informações falsas.

Em primeiro plano, é importante salientar o nível de violência abordada no jornalismo dos canais abertos. Nessa perspectiva, grandes emissoras de televisão, como a Band e a Record TV, corroboram com essa problemática ao apresentarem episódios de perseguição policial em um cenário de muita agressão. É evidente que a apresentação cotidiana desses casos é prejudicial para a formação familiar, haja vista que isso pode marcar psicologicamente o desenvolvimento  das crianças.

Ademais, a massiva divulgação de informações precipitadas ou descontextualizadas ocasionou o atual fenômeno das “Fake News”. Nesse âmbito, diversas redes sociais - como o Facebook e o WhatsApp - foram usados pela mídia brasileira, como veículo de manipulação dos acontecimentos, para apelar ao radicalismo e gerar, dessa maneira, mais audiência. Desse modo, esse é um problema muito ruim para o meio social, uma vez que pode gerar a desinformação e o regresso educacional.

Portanto, medidas são necessárias para a resolução desse impasse. Destarte, a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) deve criar um projeto de regulamentação que vise conter a disseminação de Fake News e conteúdos violentos, por meio de um programa especializado, o qual use algoritmos que filtrem tal conteúdo e o repasse para a verificação por especialistas e, se necessário, o retirem da rede. Sendo assim, o intuito de tal medida é diminuir a propagação de mensagens e matérias persuasivas e agressivas à população brasileira e, garantir, dessa forma, uma pacificação da sociedade.