Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 02/04/2020
A violência foi, desde sempre, algo muito atrativo aos humanos, tendo como um dos maiores exemplos disso, a luta de gladiadores durante o império Romano. Hodiernamente, apesar de felizmente não existir mais esses espetáculos, a mídia vem, através de grande espetacularização da violência, substituindo essa antiga forma de entretenimento, e acaba fazendo com que esse setor de grande importância informacional a população seja ocupado apenas pela barbárie, tendo em vista a grande visualização que isso proporciona. Soma-se a essa espetacularização da violência um público alvo desprovido de pensamento crítico e obtém-se uma alienação social, a qual deve ter suas causas analisadas e os subterfúgios que a solucionem encontrados.
Em primeira análise, destaca-se a falta de um pensamento crítico na população a fim de que sejm menos propensa a ter a violência como forma de entretenimento. Segundo o educador brasileiro Paulo Freire, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”. Sob esse viés, uma forma arcaica de educação, que não ensine parâmetros importantes para o avanço da sociedade, como a importância das informações repassadas pela mídia, formará adultos bestializados e contentes apenas com as notícias de carnificinas em jornais, fomentando a glorificação da violência e deixando de lado itens de maior importância a população, como notícias de ordem política e econômica.
Faz-se mister, ainda, salientar a omissão governamental frente ao setor midiático brasileiro que não obstante sensacionaliza as notícias e desrespeita a privacidade dos que são acometidos por alguma violência. Sendo análogo ao que foi dito pelo pastor protestante Martin Luther King, “A injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça a justiça em todo o lugar”, a falta de leis que protejam a privacidade de cidadãos violentados, ou que reprima o excesso de manchetes que deformem a realidade com finalidade única de um maior número de acessos, contribui para que a violência seja algo que permeia o pensamento coletivo.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser estabelecidas a fim de que essa problemática seja resolvida. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação ensinar a seus alunos, através de aulas elucidativas e materiais didáticos, as bases filosóficas para a construção de um pensamento crítico e racional, que encare a violência como um problema, e não como entretenimento. Outrossim, cabe ao poder legislativo e executivo, a promulgação de leis que protejam a integridade e privacidade do cidadão violentado, e puna a mídia caso venha a infringir seus direitos de imagem ou use-se de manchetes sensacionalistas para atrair a atenção do público.