Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 03/04/2020

Como o mundo vem se tornando mais dinâmico o acesso a informação se torna mais uma forma de competir (no caso, por audiência) ao passo que publicidade adentra os meios de comunicação, essa relação intrínseca deixa nas mãos do telespectador o papel de escolher quais desses meios se popularizam. Logo, o número de casos violentos ocorrendo não precisa estar aumentando para que se tornem algo comum no universo midiático, pois se eles apareçam o povo precisa estar interessado em consumir tanto a notícia quanto a forma que ela é apresentada. Em suma, a consequência da violência na mídia é justamente mais violência na mída (algo cíclico).

A ex repórter Nilce Moretto explica em uma de suas apresentações On-line que um repórter possuí diversas responsabilidades e uma delas é justamente ‘passar a informação da forma como ela deve ser passada’, em síntese quer dizer que, por exemplo, ao relatar os fatos ocorridos em Suzanoo a prioridade do repórter é transmitir aquilo como um desastre na forma como foi, sem glorificar o assassino e nem pecar em excessos ou especular. Um dos pontos levantados no discurso dela é que ao fazer isso quem se beneficia é quem causou o atentado, pois seu objetivo é espalhar medo e terror, justamente o que a mídia acaba por fazer ao especular, glorificar etc.

Como é explicado cientificamente o ser humano gosta da violência como forma de entretenimento, temos exemplos históricos disso, tal como lutas de gladiadores em Roma, esportes violentos desde a Grécia antiga e mais recentemente a ascensão de jogos em que o objetivo é infringir danos ao inimigo. Pensadores antigos relatam que isso faz parte do subconsciente humano, Freud diz que a violência pode eclodir como forma de ‘gozo’, a mídia usa esses fatos como combustível para ascender aos olhos do povo, contudo existe uma linha a qual o comunicador deve se conter em ultrapassar.

Reiterando os fatos, a mudança na forma de transmitir a informação não é um fenômeno direto, e sim indireto, a população precisa perder o interesse na forma com que os fatos violentos são mostrados e migrarem para uma fonte de notícias mais fiel a realidade, não fazer isso significaria uma piora progressiva na forma com que somos introduzidos a esses acontecimentos. Uma forma de combater isso é simplesmente alienar-se de fontes tendenciosas ou apelativas, ensinar o próximo, promover levantes de conteúdos mais imparciais e coerentes, e por fim as redes sociais são uma importante forma de enviar feedbacks para os produtores e ao mesmo tempo atingir um número razoável de pessoas que também podem se engajar, no melhor dos cenários criando um movimento crescente de inovação ás formas de transmitir aquilo que é notícia.