Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 04/04/2020
No mito da Caverna de Platão, pessoas isoladas em uma caverna ficam restritas a uma realidade exibida a elas através de sombras, o que as torna alheias ao que de fato ocorre fora do cativeiro. Analogamente, a mídia, responsável por informar a população, funciona como as sombras e reflete uma visão que nem sempre condiz com o panorama real da situação. Nesse sentido, pode – se observar uma espetacularização da violência nos grandes canais noticiários, o que provoca medo e descrença nos mecanismos de segurança governamentais, e, portanto, um caos social.
A priori, é válido ressaltar a influência dessa exibição exagerada de atos violentos para os cidadãos. Nesse sentido, consoante ao escritor Guy Debord, em seu livro Sociedade do Espetáculo, a sociedade capitalista possui a tendência de mercantilização geral, o que ocorre contemporaneamente com a mídia, que utiliza do sensacionalismo para lucrar. Diante disso, os canais de informação exageram nas notícias para obter maior repercussão e impactam diretamente os cidadãos, o que causa pânico geral. Nesse sentido, é imprescindível a discussão de medidas que busquem garantir a veracidade das notícias, para que assim, não seja causado um alarmismo desnecessário.
Igualmente, cabe pontuar o medo e a descrença nos aparatos estatais de segurança, por parte da população, como impactos diretos da espetacularização da violência. Ademais, segundo a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado garantir a segurança dos brasileiros. Entretanto, com a super exposição de atos criminais nos meios de comunicação, a população passa a desacreditar nos mecanismos governamentais de segurança. Diante de um cenário de insegurança, muitas pessoas tomam inciativas individuais para praticar uma justiça baseada em seus princípios morais, como ilustrado pelo personagem do Batman, o que pode gerar ainda mais violência e injustiças. Desse modo, é imprescindível que ações individuais de justiça não sejam permitidas e que os aparatos estatais garantam a segurança das pessoas.
Em suma, depreende – se o pânico e o descredito nas instituições governamentais como impactos da exibição exacerbada de ações violentas pela mídia. Logo, é mister que o Ministério da Justiça e Segurança Pública promova melhorias em seus serviços, através da contratação de mais profissionais, capacitação, rondas mais frequentes, com o fito de impedir ou punir ações criminosas, para que haja cada vez menos violência a ser noticiada e a população possa assim se sentir mais segura. Além disso, é master também, que o mesmo Ministério promova campanhas publicitárias que mostrem seus esforços para propiciar a proteção dos cidadãos, através dos meios de comunicação, a fim de contrapor a espetacularização dos crimes, e assim, tranquilizar os brasileiros.