Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 06/04/2020

O Anestesiamento Mental

1861 a 1865, anos marcados pela Guerra Civil Americana que durante quatro anos teve cerca de 600 mil pessoas mortas. Atualmente, o Brasil vive uma guerra civil velada na qual se observa 550 mil mortes violentas em 11 anos. Esse infortúnio tende a ser potencializado devido ao modo que a mídia trata a violência, trazendo a sensação de impunidade e de banalização desta.

Em primeiro momento, é de suma importância ressaltar como a sensação de impunidade é danosa a esse processo. Quando a mídia mostra somente casos em que a justiça não ocorreu como o esperado, está propensa a despertar um sentimento de revolta no qual as pessoas passam a crer que a justiça deve ser feita com as próprias mãos. Exemplo disso é o caso de linchamento ocorrido a uma mulher, em 2014, no Guarujá, onde uma inocente foi morta por meros boatos disseminados.

Além do sentimento de impunidade, a banalização da violência torna o cenário ainda mais caótico. Uma sociedade que vê diariamente pessoas morrendo violentamente, roubos, sequestros e tantos outros crimes, acaba entrando em um estado anestésico em que novos casos não despertam a sensação de repulsa inicial. Esse comportamento pode ser explicado por Hannah Arendt em seu livro “A Banalização do Mal” quando a autora afirma que um mal recorrente tende a ser relativizado ou até mesmo ignorado, nesse caso, o mal seria a violência brasileira.

Nota-se, portanto, que a mídia é um grande intensificador da violência no Brasil. Todavia, medidas podem reverter esse processo. A mídia pode acrescentar feitos positivos em seus jornais, para que, assim, a sensação de impunidade seja minimizada. Ademais, as escolas em parceria com a família podem desenvolver projetos em busca de uma maior consciência social, para que, desta forma, os estudantes cresçam e não se tornem adultos anestesiados. Muitas medidas podem ser tomadas, o que não pode é deixar essa espetacularização continuar.