Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 17/04/2020

Observa-se que no filme O Abutre, Dan Gilroy -diretor e roteirista norte americano- desenvolve um enredo cuja função é explanar, baseado nos atos da personagem Louis Bloom, a espetacularização da violência pela mídia. Nesse cenário, é mister ressaltar que o ambiente roteirizado por Gilroy e a sociedade brasileira compartilham semelhanças, dado que ao fazer um análise vertical da cultura verde-amarela, torna-se evidente a necessidade de enfrentar, de forma mais organizada, os efeitos causados pela espetacularização da violência. Sob esse aspecto, acredita-se que a banalização da violência,  e a supressão da dignidade humana são consequências advindas de tal problemática.

Em primeira análise, cabe acentuar que o espetáculo desenvolvido pela mídia desencadeia a trivialização de ações agressivas. Nessa perspectiva, julga-se que essa trivialização consolida o conceito de banalidade do mal -dissertado por Hannah Arendt- ou seja, a divulgação exacerbada de atos violentos não só os transforma em algo normal e cotidiano mas também aliena o cidadão. Dessa forma, acredita-se que devido à alienação, o indivíduo  passa a aceitar a violência como algo rotineiro e não questiona a sua existência no convívio social tornando-a, assim , em algo banal.

De outra parte, também é notório salientar que, embora a Constituição Cidadã assegure, em seu artigo 1°, a dignidade da pessoa humana, a espetacularização da violência, promovida pela mídias sociais, impossibilita que vítimas - e agressores- tenham acesso a esse direito de maneira efetiva. Nesse sentido, é visto que o sensacionalismo da imprensa retira a dignidade do cidadão, já que em muitos casos para gravar e transmitir o ato, a intimidade do cidadão é violada  em um momento de fragilidade- física, emocional. Dessa forma, julga-se que, novamente, o exposto por Gilroy vai de encontro à realidade brasileira, uma vez que na obra, Bloom ao invadir casas e deixar de socorrer vítimas visando criar conteúdo e alimentar a mídia, deixa os indivíduos que tiveram sua privacidade violada com fome do maior direito: a dignidade.

Torna-se indubitável, portanto,a necessidade de solucionar a problemática em voga.  Desse modo,  o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, deve mitigar a espetacularização da violência por meio do desenvolvimento de legislação que defina horários específicos para a transmissão desse tipo de conteúdo, além de resguardar os envolvidos garantindo, assim, a liberdade de imprensa e a regularização do espetáculo que envolve o compartilhamento de atos violentos. Dessa forma acredita-se que não só a banalização da violência, mas também a supressão da dignidade humana será amenizada. Com tais medidas, o fato será, gradativamente, amenizado.