Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 07/04/2020

No livro “A sociedade do espetáculo”, de Guy Debord, expõe-se que o espetáculo é como um show, tendo em vista do seu forte poder de entretenimento. Diante dessa ideia, de forma a relacionar com a espetacularização da violência pela mídia brasileira, é clarividente a ausência de empatia em face da naturalização de eventuais atos retrógrados e imorais à Constituição Brasileira. O fato supracitado é notável no conteúdo das notícias, como também na persuasão do cinema moldados pelo princípio de manter fixa a atenção dos telespectadores de modo a ignorar as possíveis implicações.

Primeiramente, vale ressaltar o termo “Indústria Cultural”, criado pelos filósofos Max Horkheimer e Theodor Adorno, o qual afirma que a cultura sofre um processo de padronização do que é exposto. Tal teoria é analisada nas produções cinematográficas, as quais trazem, constantemente, cenas de violências tratadas de forma comum perante a rotina da sociedade, aliada ao fato de, majoritariamente, serem atores negros os indicados aos específicos papéis. Sendo assim, a utilização desses recursos persuasivos pelo cinema colabora, efetivamente, para com o menosprezo às perversidades humanas, haja vista da concepção de que elas apresentam caráter habitual, bem como manipula, indiretamente, a sociedade a acreditar que a população negra é mais propicia à prática de determinados delitos, o que ocasiona a aumento dos casos de racismo e a segregação socioespacial.

Ademais, é importante destacar a insensibilidade jornalística perante a revelação de informações abusivas com o intuito de promover a repercussão desejada sobre a notícia. Conforme o pensamento da filósofa alemã Hannah Arendt, o tecido social construiu uma identidade de banalizar o mal ao passo que negligencia as crueldades vivenciadas cotidianamente. Sendo assim, analisa-se a concretização do pensamento supracitado através dos conteúdos apresentados por diversos jornais, os quais contribuem para a construção da sociedade do espetáculo caracterizada pelo egoísmo frente aos imbróglios sociais, tanto quanto marcada pela preocupação com a proporção do efeito que determinada tragédia atingirá.

Destarte, medidas precisam ser tomadas para que se atinja a formação de uma nação humanitária. As instituições escolares, portanto, devem orientar seus discentes e responsáveis, através de palestras e atividade lúdicas, sobre a importância da atenção preferencial a dados informacionais transmitidos por canais instrutivos, como “Discovery Channel” e “TV Cultura”, a fim de que obtenham consciência da necessidade do desenvolvimento intelectual e altruístico familiar. Além disso, faz-se imperativo que páginas virtuais denunciem o sensacionalismo exacerbado dos jornais. Dessa forma, a notícia se reconceituará e o exagero sensacional da violência se tornará parte de uma cultura arcaica.