Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 08/09/2020
O caráter duvidoso por trás da imprensa
Segundo a definição, “jornalismo” é a coleta, investigação e análise de informações para posterior divulgação à mídia, dando ao receptor a possibilidade de sua própria interpretação. O jornalismo deve ser objetivo e voltado à reflexão, evitando conteúdos explícitos e degradantes ao público, no entanto, o simples ato de ligar a televisão ou abrir o site de um veículo de comunicação evidencia que o jornalismo no mundo contemporâneo perdeu seu significado.
Sob essa perspectiva, no dia a dia, sob a égide da liberdade de imprensa, as emissoras de televisão dão destaque exacerbado a crimes, superexpondo cidadãos a situações difamatórias e enaltecendo a violência cometida pelos criminosos. Nesse viés, a busca pela audiência e o constante lucro possuem mais influência do que apenas informar, levando o jornalismo ao nível cinemático, em que as informações são transmitidas, mas para isso, foi-se necessário invadir o espaço pessoal do alvo e apelar para o lado emocional do telespectador.
Nessa conjuntura, é possível utilizar como exemplo o massacre de Suzano em 2019, que teve como principal inspiração o massacre de Columbine, nos Estados Unidos, em 1999, que foi amplamente noticiado e documentado, além de romantizado pela mídia, o que se fez possível adaptar a história diversas vezes ao cinema devido ao seu caráter inédito. Em ambos os casos, jornalistas fizeram uma grande cobertura nos locais e expuseram informações moralmente questionáveis e inconstitucionais, como indicar as armas que os criminosos utilizaram e como as conseguiram e quais foram seus passos para adentrar nas escolas, praticamente um passo a passo de como reproduzir o delito. Em cenários como estes, fica evidente o quanto um crime possui influência sobre outro pela maneira como é divulgado.
Infere-se, portanto, que a espetacularização da violência na mídia apenas gera mais violência, banalizando a vida e normalizando a brutalidade. Nesse sentido, a fim de mitigar esta problemática, os poderes executivo e judiciário devem atuar em conjunto. As leis já são severas o suficiente neste caso, basta cumpri-las através da fiscalização de reportagens de jornais televisivos e online, além do incentivo da propagação de casos bem sucedidos, em que a justiça foi íntegra. Nesse caso, o caráter cinemático seria moralmente aceitável, já que destoaria a notícia do crime em si e destacaria a resolução, explicando sem expor ao extremo. Poder-se-á, assim, controlar o sensacionalismo jornalístico sem levar à censura ou ao indecoroso.