Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 11/04/2020
O “fato social”, introduzido por Émile Durkheim, é definido pelo sociólogo como um conjunto de instrumentos sociais e culturais que determinam as maneiras de agir e pensar de cada indivíduo. Nesse raciocínio, a mídia brasileira age como um fato social por ter o poder de influenciar o pensamento coletivo ao induzir a população ao debate. No entanto, esse veículo de informação tem se mostrado ineficaz ao exibir a violência de modo exagerado. Decerto, a grande exposição da violência pela mídia fere a individualidade dos cidadãos e normaliza a agressão. Logo, é imperativo que essa conjuntura seja erradicada.
De fato, a exagerada exposição da violência pela mídia fere a individualidade dos cidadãos. O artigo de número 6 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela Organização das Nações Unidas, afirma que todos têm o direito de ser reconhecidos como pessoas perante à lei, independente do local. Nesse contexto, a mídia, ao tratar de agressões como espetáculos para atrair acessos e gerar lucro, fere a declaração por usar as pessoas como personagens. Logo, os veículos de informação anulam a ideia de individualidade ao expor os indivíduos.
Ademais, a espetacularização da violência pela mídia brasileira normaliza as agressões. Nesse sentido, Byung-Chul Han, na obra “Sociedade do Cansaço”, afirma que há instituições perdendo a sua devida função. Visto isso, a mídia, ao transformar situações que envolvem violência em “shows”, perde a sua função de induzir os indivíduos ao debate, pois trata dessas agressões de tal maneira e com tal frequência que o público as tomam como normais ou, até mesmo, engraçadas. Então, a normalização da violência pode ser causada pela sua ampla e banal exposição.
Urge, portanto, a necessidade de erradicar a espetacularização da violência, visto que fere a individualidade e normaliza as agressões. Para isso, é necessário que as universidades, instituições de extrema importância na formação de jornalistas, criem medidas para restituir a seriedade que a violência possui ao acrescentar mais disciplinas de ética na formação dos profissionais da informação com a finalidade de tratar as agressões como problema social. Dessa maneira, os indivíduos terão seus direitos preservados e a violência será tratada com a sua devida seriedade.