Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 13/04/2020
A mídia brasileira possui uma função indispensável à cidadania: informar a população. Todavia, o mau uso da função comunicativa tem levado a imprensa a repassar as notícias de forma sensacionalista, valorizando a violência. A saída para essa disfunção nunca deve ser a censura, mas sim o precioso diálogo múltiplo no âmbito social.
De um lado, a mídia brasileira tem se notabilizado pelo apreço à violência, noticiando intensamente os crimes, com o objetivo de aumentar a audiência. Isso eleva a audiência porque há estudos que comprovam o poder das notícias negativas para obter a atenção do público, sendo prevalente em comparação com as notícias positivas.
Na televisão, há programas focados nas notícias que envolvem violência, com o único intuito de obter audiência, mas sem pensar no bem-estar dos telespectadores e, principalmente, no impacto negativo da informação, o que incentiva outras pessoas a agirem de maneira imoderada.
Por outro lado, a solução para esse conflito ético é baseada no diálogo. Os governantes devem realizar audiências públicas, com a participação de todos os interessados, possuindo a finalidade de discutir as posturas antiéticas adotadas pelos meios de comunicação e formas de garantir o direito constitucional da liberdade de imprensa, mas sem ferir os valores morais e éticos que balizam o bom convívio social. Assim, os cidadãos terão acesso a um conteúdo equilibrado e que preze pela qualidade.
Portanto, a mídia sempre teve um papel indispensável para a democracia nacional, contudo, não se deve extrapolar a liberdade de imprensa sem sopesá-la com os outros direitos constitucionais e éticos, haja vista que as informações divulgadas pela mídia possuem muita relevância no seio da sociedade.