Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 15/04/2020

O Circo dos Horrores, evento que atraía multidões no século XIX , tinha como espetáculo principal a exposição de pessoas deficientes. Hodiernamente, assim como no Circo dos Horrores, a violência tem sido  espetacularizada no que tange à atuação da mídia brasileira. Dessa forma, a banalização, causada pelo anseio de gerar conteúdo, provoca a circulação de informações errôneas, além de incitar o desejo de realizar justiça com as próprias mãos.

Primordialmente, a banalização da violência corrobora para a quebra do comprometimento jornalistico com a veracidade. Nesse contexto, de acordo com o sociólogo Bauman, a sociedade contemporânea vive em uma cultura imediatista no que se refere à emissão e obtenção de conhecimento. Desse modo, tal imediatismo na geração de conteúdo  põe em risco a confiabilidade das informações. Por consequência, há um aumento da circulação de “fake news”, isto é, notícias falsas.

Outrossim, segundo o filósofo Jean-paul Sartre, a violência de qualquer maneira com a qual se manifeste, é sempre uma derrota. Nesse sentido, a frase do filósofo retrata que a impetuosidade, independente  do contexto no qual está inserida, é prejudicial à sociedade. Nesse ínterim, é indubitável que a espetacularização produzida pela mídia, fomenta nos indivíduos o desejo de realizar justiça com as próprias mãos, ato que se classifica como criminoso. Sendo assim, depreende-se que o conteúdo midiático pode gerar o sentimento de revolta e incitar a  criminalidade .

Dessarte, é notório que a banalização da violência contribui para a disseminação de “fake news”, além de incentivar práticas revoltosas. Portanto, o Ministério da Educação deve provocar o senso crítico nos jovens, por meio da educação digital, a fim de diminuir a circulação de notícias falsas. Ademais, as mídias sociais, principais ferramentas comunicativas da atualidade, devem promover campanhas que conscientizem os indivíduos, por intermédio de publicidades, com o fito de minimizar a problemática. Assim, o Circo dos Horrores não refletirá o Brasil.