Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 15/04/2020

Coliseus, lutas, mortes. A espetacularização da violência está presente desde os tempos clássicos, nota-se um grande apoio a práticas sangrentas como fonte de lazer e entretenimento. Nos dias atuais, apesar da moralidade imposta pela sociedade, há uma valorização intrínseca pela disputa. Nesse panorama, a grande midialização dos casos violentos faz com que os indivíduos se acostumem com essa prática no cotidiano e haja a banalização da criminalidade. Cabe-se, então, analisar as consequências dessa prática no cenário brasileiro.

Em primeira análise, sob a ótica sociológica, o ser humano, apesar dos avanços sociais, é refém de seu instinto primitivo, sendo assim há uma luta pela sobrevivência. Nesse contexto, a violência é um fator de seleção dos mais fortes, contudo, as atuais regras morais tentam conter essas ações instintivas. Sendo assim, a mídia  expõe os casos de digressão dessa norma na tentativa de reduzi-la. No entanto, notícias ruins tendem a gerar muita repercussão e lucro para as empresas do ramo. Nesse sentido, as grandes corporações midiáticas aproveitam-se do Complexo Reptiliano dos cérebros humanos, região responsável pela proteção do indivíduo, o qual é programado para ficar mais atento à situações de perigo. Logo, uma das consequências da espetacularização da violência é a criação compulsória de mais reportagens nesse viés, haja vista o grande potencial lucrativo.

Ademais, vale ainda ressaltar, que a enorme quantidade de matérias jornalísticas que abordam a violência instauram o ambiente perfeito para a banalização dessa prática nociva. Nessa caótica conjuntura, a empatia e a solidariedade são deixadas em segundo plano, enquanto que os casos de agressão se tornam corriqueiros. Além disso, as vítimas acabam sendo expostas e têm sua dor exibida. Recentemente, em um jornal brasileiro, uma mãe soube da morte de sua filha ao vivo, o que demonstra as consequências dessa busca exagerada pela vinculação de notícias ruins e falta de consideração com os parentes e amigos da falecida. Infelizmente, casos como esse fazem parte do dia a dia nas cidades, o que demonstra que para o lucro da mídia, vale tudo.

Torna-se evidente, portanto, que a espetacularização da violência é um recurso utilizado pela mídia para gerar lucro ao custo da dor alheia. Para reverter esse quadro, é preciso que o Poder Legislativo faça, em parceria com as grandes empresas midiáticas, a elaboração de um código de leis específico para casos de violência, em que haja o equilíbrio das notícias veiculadas. Por meio da criação de blocos nos jornais responsáveis pelas reportagens positivas e esperançosas, para que assim haja a redução da desesperança criada pela mídia de casos violentos. Espera-se, assim, que haja a sobreposição da moralidade sob o instinto humano de degradação e sobrevivência individual.