Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 14/04/2020
A política do Império Romano, conhecida como “pão e circo”, era um espetáculo que tinha como principal atração a luta de gladiadores. Nesse contexto, no século XXI, diariamente, a violência e o crime são apresentados cada vez mais através da mídia como forma de espetáculo para atrair o público, no intuito de lucrar. Entretanto, a espetacularização da violência é um ponto negativo na sociedade, pois causa o desenvolvimento de indivíduos mais agressivos, e também a banalização da morte, logo, é necessário que medidas sejam tomadas em relação à divulgação de tais notícias e o exagero a elas relacionadas.
Ainda por cima, para o sociólogo Karl Marx, ideologia é um conjunto de ideias, muitas vezes, propagadas pelos meios de comunicação, com o intuito de persuadir o interlocutor. Dessa forma, fica explícito que os veículos de informação, ao propagarem as notícias, corroboram para o aumento delas. Assim, de forma não proposital, a mídia trasmite “orientações agressivas e não passifista”, ou seja, não pregam a cultura da não-violência, aumentando o número de casos de agressões nas escolas, como o caso de Suzano. Para finalizar, tem-se o estudo publicado pela “American Medical Association”, nos Estados Unidos, a exposição de crianças à violência na televisão pode acarretar no desenvolvimento de comportamento agressivo, por absorverem boa parte do que lhes é apresentado.
Em segundo lugar, o jornalista Reinaldo Azevedo, em uma coluna da “Revista veja”, disse que “a humana aparenta ter menos valor a cada dia”, e a mídia é principal causadora disso, pois além de noticiários há as indústrias cinematográficas, que banalizam, em conjunto com telejornais, cada vez mais a morte de uma forma insensível e explosiva. Para exemplificar, pode-se citar a operação policial no complexo Alemão em 2010, que os noticiários transmitiram ao vivo os policiais alvejarem os traficantes.
Portanto, para controlar o exagero da espetacularização da violência no Brasil, é evidente que o Governo em conjunto ao Ministério da Propaganda deva intervir com a aplicação de leis mais rígidas sobre como a informação deverá ser reproduzida. Ademais, cabe ao Ministério da Comunicação conter o excesso da valorização de assuntos derivados do ato de brutalidade, podendo começar a retratar a forma de impedir e evitar. Outrossim, a escola deveria conversar com os alunos no intuito de informar os estudantes de forma calma e amenizada sobre as violências do Brasil e desenvolver debates para diminuir a porcentagem das ocorrências, principalmente nas escolas.