Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 19/04/2020
Na Roma Antiga, a aristocracia, com incentivos e financiamentos, formava a opinião da plebe da época com a utilização do anfiteatro como ferramenta cultural, transmitindo valores e costumes referentes a cultura romana, com grande poder identitário e civilizador que estabelecia a violência como um exemplo e modelo natural de uma sociedade. Fora do período histórico, é fato que a realidade vivenciada em Roma pode ser relacionada ao contexto de espetacularização da violência pela mídia hodierna, haja vista a banalidade do mal, bem como a modernidade líquida. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados para que uma
Em primeiro lugar, para entender a relevância dessa temática, é fundamental compreender a relação entre a banalidade do mal e o entrave exposto. De acordo com a filósofa política Hannah Arendt, a banalização relaciona-se com o fato do indivíduo cometer e vivenciar atrocidades e ações violentas sem qualquer motivação maligna, ocorrendo um processo de naturalização da violência sobre a sociedade. Diante do exposto, é essencial analisar a construção do pensamento social e a espetacularização hodierna, visto que há uma normalização e passividade da população, aproximando-se assim ao quadro da Roma Antiga.
Faz-se mister, ainda, salientar a liquidez das atuais relações sociais como impulsionadora e agravante às consequências da espetacularização. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais é a característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI, transformando o convívio social em situações voláteis, em que os indivíduos são mais individualistas, abdicando a concepção de bem-estar da coletividade e tornando-se cada vez mais apáticos quanto à violência assistida. Diante de tal contexto - a sociedade marcada por essa liquidez - tende a ser mais individualista e indiferente, somando-se assim, ao quadro de banalização de Arendt, em que há a
perpetuação da displicência e a apatia da população.
Portanto - indubitavelmente - medidas são necessárias para resolver esse estigma. Desse modo, urge que o Ministério da Educação, em parceria com as Secretárias Municipais de Comunicação, fomente debates à sociedade, por intermédio de eventos e palestras nas escolas, a cerca da importância do criticismo às informações transmitidas nos veículos de comunicação, a fim de desconstruir a apatia e a banalidade social. Ademais, cabe a mídia, como formadora de opinião, reduzir, por meio de mudanças em sua divulgação diária, a espetacularização excessiva da violência em suas notícias, com o intuito de construir um pensamento coletivista e enérgico. A partir dessas ações, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da espetacularização, alcançando o estágio oposto da máxima Arendtiana.