Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 20/04/2020
Fevereiro de 2014, depois de agredido por 15 homens no Rio de Janeiro, menor fica preso a poste até a chegada da polícia. Essa notícia que deveria revoltar a todos, de modo contrário, encontrou apoio em alguns em razão da forma que foi exploda pela imprensa sensacionalista brasileira. Isso mostra uma desvirtuação do papel da mídia, que deveria primar pela elevação da urbanidade. Desse modo, cabe análise das causas e consequências dessa espetacularização da violência.
Em primeiro lugar, é importante evidenciar que a concorrência pela audiência tem feito os jornais trocarem os assuntos que são de interessa público, por os que são de interesse do público. Dentre eles, destaca-se a violência. Segundo os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde (SIM/MS), em 2017 houve 65.602 homicídios no Brasil. Esse número alarmante, explorado de modo inconsequente pela impressa inescrupulosa e passional, tem influenciado a população banalizar os ataques aos direitos humanos, ao fazer apologia à morte dos que cometem crime.
Em segundo lugar, ressalta-se como efeito, a possibilidade do retorno à selvageria humana, por aqueles que se guiam por esses espetáculos mórbidos da imprensa, ou seja, pelo incentivo à barbárie. Sobre o tema, disse o Papa João Paulo II: “A violência destrói o que ela pretende defender; a dignidade da vida, a liberdade do ser humano”. Depreende-se desse depoimento, que a agressão ao outro brutaliza e apequena o homem. Destarte, é um absurdo admitir que uma concessão pública seja usada em prejuízo aos padrões éticos de convício social.
Deduz-se, à vista disso, que é donoso à sociedade o show apoteótico como determinada parte da mídia trata a violência. Logo, é preciso que o Estado brasileiro altere a lei de concessão pública e fiscalize-a. Para isso, o governo terá que provocar o congresso nacional, para seja incluída nela, que as concessões dessa natureza, devem atender ao interesse público, como forma de respeitar os direitos humanos. Com a lei atualizada, o governo poderá, sistematicamente, rever se determinada empresa cumpre as exigências legais. Apesar de parecer, não se trata de uma censura ao jornal, mas uma adequação de conduta. Espera-se com isso, elevar o patamar civilizatório da nação.