Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 22/04/2020
No intuito de diminuir a taxa de suicídios no mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) criou recomendações de como não noticiar um suicídio nos veículos de comunicação. Recomendam não sensacionalizar, não descrever o fato em detalhes e não apresentar a morte como solução. Porém, há diversas noticias expostas pelo jornalismo atual, em especial, as mais violentas, que necessitam de boas políticas para não recorrerem ao sensacionalismo e a espetacularização para ganhar audiência.
Com um alto índice de homicídios - que já ultrapassa a marca dos 60 mil, segundo o mapa da violência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) - o Brasil é um dos países mais violentos do mundo, aponta a ONU. Além disso, atualmente, a mídia em geral tem recorrido à noticias cada vez mais violentas e ao sensacionalismo para relatar esses fatos. Isso causa uma normalização de casos violentos, já que, pela forma como são relatados, acabam sendo banalizados, causando mais violência, segundo pesquisadores do Núcleo de Estudos de Violência da USP.
Ademais, também existe uma relação fato e mídia, como mostrado no Efeito Wherter, um estudo do pesquisador David Phillips de 1974. Segundo ele há uma relação direta entre casos de suicídio noticiados pela mídia e um crescimento de casos de suicídio no mundo. Em resumo, quantos mais casos violentos os veículos de comunicação noticiarem, mais a taxa de violência cresce. Isso deixa explicito o papel da mídia na formação de opinião e comportamento da sociedade.
Dado o exposto, é mister que haja politicas para mitigar essa problemática. Cabe aos órgãos de imprensa, como a Associação Brasileira de Imprensa e a Imprensa Oficial do Governo, criarem recomendações de como noticiar casos de violência, no Brasil. Através de campanhas de conscientização nas páginas oficiais desses órgãos, mostrar para a mídia em geral maneiras mais seguras de conter a exposição excessiva de imagens violentas nos principais meios de comunicação. Só assim, o jornalismo se tornará mais seguro e mais informativo à toda população.