Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 20/04/2020
Na Grécia Antiga, a tragédia teatral foi disseminada devido a seu gênero dramático, o qual objetivava o entretenimento por meio do espetáculo do terror e do drama. Fora do âmbito artístico, a sociedade contemporânea mostra semelhança no que diz respeito à arte trágica, tendo como exemplo o apreço pela espetacularização da violência na mídia brasileira. Dado o exposto, faz-se necessária a análise de consequências a partir do tema proposto, tais como a incentivo à violência e a propagação do medo, buscando medidas governamentais que amenizem o quadro alarmante.
Em primeiro plano, sob perspectiva do conceito da “banalidade do mal” da filósofa Hannah Arendt, uma atitude de opressão ocorrida constantemente é um mal normalizado. De maneira análoga, a o espetáculo da violência incentiva a criminalidade, tendo em vista que a repetição de crimes violentos como forma de entreter os espectadores potencializa o surgimento de grupos extremistas, além de também colaborar para a romantização de criminosos. Um exemplo disso são as novelas brasileiras, as quais romantizam psicopatas e agressores, evidenciando o alcance midiático sensacionalista.
Sob esse panorama, a disseminação do pânico é uma consequência direta do impacto do sensacionalismo da mídia brasileira. Nesse viés, o jornalismo rompe com seu propósito quando seu intuito sobrepõe a informação, com imagens sangrentas e familiares da vítima sofrendo com a criminalidade, afetando o psicológico do espectador. Um exemplo disso foi o caso da emissora Record, a qual entrevistou e informou a uma mãe que sua filha havia sido assassinada, mostrando a reação da mulher ao vivo. Dessa forma, é perceptível que, os atos violentos evidenciados na mídia afetam o psicológico das pessoas, seja de maneira indireta, como os espectadores, ou de maneira direta, como o caso da Record. Em suma, medidas são necessárias para mitigar a problemática apresentada. Portanto, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações deve criar um projeto de Autorregulação Midiática que alerte os espectadores sobre conteúdo sensível exposto nos meios de comunicação, evitando a superexposição da violência e o desgaste emocional. Tal projeto será veiculado na internet e na televisão, os quais são grandes potencializadores comunicativos, desmistificando o conteúdo sensacionalista dos jornais, mantendo parcialidade na divulgação de notícias. Isso objetivará a diminuição dos impactos da espetacularização da violência no Brasil, para que o apreço à tragédia não seja um entretenimento, como na Grécia Antiga.