Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 21/04/2020
“Sensacionalismo” é um tipo de viés editorial na mídia em massa em que os eventos e temas em notícias e partes são mais exageradas para aumentar os números de audiência ou de leitores. Algumas táticas conhecidas incluem abordagens insensíveis, apelações emotivas, criação de polêmicas, notícias com fatos intencionalmente omitidos. Basicamente, quaisquer formas de se obter forte atenção popular.
Na mídia atual, vê-se claramente o uso excessivo do sensacionalismo através das notícias envolvendo homicídios, tragédias de larga escala, falecimentos de figuras públicas, entre outros… Ainda que a função do jornalismo seja transmitir as informações para o público, muitas das vezes as mesmas são noticiadas de formas consideravelmente insensíveis e antiéticas, tanto com os envolvidos do noticiado quanto com a população que recebe a informação.
Tal insensibilidade traz uma forma de banalização à vida, transparecendo ao público como normal e corriqueiro o fato de um ser humano vir a morrer em meio à um assalto. Outro exemplo dessa espetacularização da violência através da mídia de forma insensível e imoral, foi quando no dia 17 de fevereiro de 2020, durante o programa Cidade Alerta, que havia cobrindo um caso de desaparecimento de uma jovem de 21 anos, o jornalista e apresentador Luiz Fernando Bacci recebeu ao vivo, enquanto estava em uma conversa com a mãe da jovem desaparecida, que havia sido encontrado o corpo da filha. O apresentador então, em meio ao programa, dá a notícia à mãe, que logo em seguida entra em estado de de pânico e desmaia ao vivo.
Portanto, para que as consequências desse sensacionalismo não se exacerbam de forma descontrolada e a vida alheia não se torne algo insignificante, cabe ao Ministério da Educação lidar de forma mais rigorosa com os grandes meios de comunicação, a respeito da forma em que são abordadas determinadas notícias.