Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 21/04/2020

Entreter o público com programas saudáveis deveria ser uma das principais metas das emissoras de televisão. No entanto, na busca incontrolável por altos índices de audiência, a mídia está cada vez menos preocupada com o nível da sua programação. Isto porque a bestialidade humana é explorada de forma exacerbada, com a exibição perigosa de cenas onde a selvageria entre as pessoas impera.                                       O sensacionalismo, a cultura do consumo, exacerbadamente trabalhada desde a infância e em todas as áreas, inclusive a da informação e a falta de regulamentação da profissão, com certeza ajudaram muito nas distorções que vemos do papel da mídia a décadas e, no caso Nardoni, transformaram a mídia em espetáculo, infelizmente barato, chulo. O papel da imprensa é informar, ou será que também é nosso papel sermos juízes, promotores, advogados de acusação, e às vezes de defesa, psicólogos, psiquiatras, criminalistas, especialistas em segurança, ou seja lá o que for?

Por nos encontrarmos em uma crise de credibilidade política, os telejornais procuram outras categorias informativas para traduzir o interesse da sociedade, geralmente notícias violentas. Assim, a curiosidade pela narração do crime e suas possíveis consequências acabam por ser uma das causas de uma nova cultura de violência, em que essa aparece como um fato normal, corriqueiro, que faz parte do cotidiano.

Portanto, é necessario mudar o cenário da mídia brasileira para conter suas consequências sociais. Cabe á mídia genuína atingir um público alvo maior, através da difusão de notícias e reportagens que contemplem a totalidade dos fatos, por meio das redes sociais e canais tradicionais, para que a sociedade reflita ,de fato, com criticidade sobre as informações consumidas e seus impactos.