Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 21/04/2020

Com o aumento de programas policiais, como o jornal “Brasil Urgente”, na cadeia televisiva e midiática brasileira, os cidadãos ficam melhor informados sobre os perigos que os cercam e, consequentemente, são passíveis de maior segurança. Entretanto, a grande presença dessas e outras programações na mídia são responsáveis pela espetacularização da violência na vida dos cidadãos e podem gerar não só a banalização da violência no país como também a perda do controle saudável do governo sobre sua população

Antes de tudo, é importante relacionar tais programações da mídia brasileira como agentes para a banalização da violência no país. A esse respeito, com base nos estudos realizados pelo sociólogo Durkheim sobre o fato social, diversos agentes coercitivos garantem a formação de condutas aproximadas que formam padrões entre os indivíduos de uma sociedade. Sob tal óptica, a mídia, um grande agente coercitivo contemporâneo, ao utilizar constantemente da violência vivida no Brasil para obter maior número de espectadores, pode levar à banalização desta. Essa tribulação se mostra evidente ao se observar os mais de 60 mil casos de homicídios em território brasileiro no ano de 2016, e, logicamente, merece maior atenção.

Ademais, vale destacar o papel desse impasse para a queda do potencial do governo brasileiro de manutenção do controle social. Acerca disso, de acordo com o discurso do sociólogo Max Weber sobre dominação e política, um Estado saudável deve exercer o monopólio do uso da violência em seu território. No entanto, com a espetacularização da violência realizada pela mídia, houve um crescimento, na população, do sentimento de “justiça com as próprias mãos”, levando a condutas injustas e, muitas vezes, contra pessoas inocentes. Tal conjuntura se comprova ao se analisar o linchamento de Fabiane Maria de Jesus no município de Guarujá - SP e da ocupação, pelo Brasil, de segundo país mais violento da América Latina. Percebe-se, portanto, que a problemática vigente merece medidas mitigadoras imediatamente.

Com base no exposto, evidencia-se a urgência de mudanças  no quadro em questão. Para tanto, o Poder Legislativo, em conjunto com a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), deve, por meio da elaboração de leis no Senado Federal e acordos com as grandes empresas televisivas brasileiras, estabelecer o limite de apenas 3 horas diárias para exibição de jornais policiais com teor violento em TV aberta. Dessa forma, a população terá menor contato com a violência vivenciada no país e, assim, esta não será tratada como algo comum, diminuindo os casos de linchamento que ocorrem no Brasil e aumentando o poder do governo para o controle de sua população.