Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 24/04/2020
A série ‘Black mirror’ retrata em um de seus episódios, a problemática da personagem Victória, que enfrenta uma situação caótica por acordar em um espaço inusitado, desconhecendo a si mesma e todos os outros a sua volta, que insistiam em torturá-la e propagar a situação por meio de veículos digitais. Fora da ficção, é fato que a realidade exposta pode ser relacionada às condições vigentes no século XXI, visto que, as mídias brasileiras difundem informações errôneas e potencializam a violência. Estes fatores acarretam prejuízos imensuráveis à população, por essa razão, a união do poder público e social é primordial para o enfrentamento da questão.
Em primeiro lugar, é necessário destacar os perigos ocasionados pela atuação incoerente dos veículos comunicativos. Ao objetivarem unicamente os lucros, as organizações tendem a especularizar casos de violência, dando ênfase a estes acontecimentos. Além disso, muitas vezes, pela ânsia de divulgar algo em imediato propagam dados incertos. Esse fator ocasiona graves impasses como: a desvinculação de sua essência informativa; causa prejulgamentos; banaliza a vida; rompe a necessidade de reflexão dos telespectadores. Estas são as condições atuais, de acordo com o filósofo Guy Debord, que afirma que vivemos em uma época de dominação da imagem, que integra manipulação à dominação, instituindo uma homogeneidade coletiva.
Ademais, é imprescindível destacar os riscos às condutas individuais causados pelas plataformas midiáticas. De acordo com a visão dos pensadores da escola de Frankfurt, a Indústria Cultural atribui valor as produções artísticas, e estas possuem impacto decisivo para a formação de sujeitos. Ao acentuarem a questão da violência, contribuem para a potencialização da mesma,visto que, acabam gerando um imaginário de guerra e impunidade. Tal fator se contrapõe a obrigação legal de responsabilidade e integridade ética garantida por essas corporações.
É preciso, portanto, que medidas sejam aderidas para o enfrentamento da problemática. Para isso, urge que O MCTIC, atente-se vigorosamente aos veículos comunicativos. Isso deverá ser realizado por meio de um marco regulatório que analise com frequência o viés dos conteúdos propagados por estes. Paralelamente, o MEC deverá instituir debates nas escolas acerca da temática, incluindo-as na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Estes momentos deverão ser realizados com a participação de sociólogos, que informem os jovens a respeito da importância de alerta aos conteúdos exprimidos por estas plataformas, afim de garantir a conscientização. Somente assim, as consequências da especularização da violência pelas mídias brasileiras serão combatidas e não haverá analogias com a estória exposta em ‘Black mirror’