Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 25/04/2020
Promulgada em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece a segurança como direito inalienável do indivíduo. Todavia, a espetacularização midiática e a veiculação excessiva de conteúdos relacionados à violência têm corroborado para banalização do assunto e consequente aumento dos índices de criminalidade no Brasil. Diante disso, evidencia-se a necessidade de intervenção estratégica por parte do Estado, aliado ao apoio popular, com vistas a estimular a utilização consciente dos meios de comunicação e viabilizar o exercício pleno do bem jurídico supramencionado. Em princípio, sabe-se que a mídia possui notável importância na integração de nações e no cotidiano da população global. Conquanto , a má utilização dos recursos disponíveis acarreta danos ao convívio social, uma vez que possibilita a manipulação comportamental do público, fator que pode ser potencializado caso o receptor da mensagem não possua senso crítico apurado para filtrar o que lhe é transmitido. Tal noção coaduna com a teoria funcionalista do sociólogo italiano Mauro Wolf, que versa sobre o poder dos meios de comunicação de reger o funcionamento da máquina social.
Faz-se imperioso, ainda, salientar que o indivíduo tende a vivenciar em suas práticas diárias aquilo que habita seus pensamentos. A partir desse entendimento, torna-se claro o risco de conferir “glamour” a condutas infracionais e a seus praticantes, que podem servir de modelo aos telespectadores mais vulneráveis. Conforme a teoria “Agenda-Setting”, do jornalista norte-americano Maxuell Mccombs, ao insistir na emissão contínua de uma informação em preterição de outras, a mídia torna-se capaz de pautar as interações corriqueiras dos espectadores, o que pode levar a ações não idealizadas pelo próprio receptor da mensagem.
Destarte, depreende-se que a regulação e a utilização consciente dos suportes midiáticos é essencial para o combate ao hodierno panorama. Logo, cabe ao Ministério da Educação a inclusão da pauta na matriz curricular do ensino de base, com intuito de desenvolver o juízo crítico nos estudantes e deixá-los menos passíveis de manipulação. Os ensinamentos deverão ser transmitidos de maneira dinâmica, em seminários regidos por especialistas em comunicação, que mostrem os riscos inerentes à utilização inadequada das tecnologias de informação disponíveis. Ademais, os poderes Executivo e Judiciário devem fazer cumprir a legislação existente acerca de crimes virtuais, que possui valor normativo suficiente para assegurar a segurança nas redes. Assim, a tendência é que o país torne-se, de forma gradual, um ambiente mais tranquilo e igualitário para seus residentes.