Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 29/04/2020

Em “A sociedade do espetáculo”, Guy Debord disserta acerca de uma sociedade acrítica, fruto do capitalismo, que se aliena e contribui para a manutenção de uma indústria cultural, massificadora de um pensamento coletivo. Analogamente, a mídia brasileira espetaculariza a violência social, oferecendo à população o combustível necessário para sua histeria e alienação, como meio para ofuscar os demais problemas do tecido social. Frente a isso, resulta-se numa intensificação da normalização da violência que alimenta a indústria do medo.

De acordo com Hannah Arendt, a abstenção de posicionamento crítico diante de uma situação constitui a banalização do mal, na qual, paralelamente, enquadra-se a normalização da violência. Nesse contexto, perpetua-se um ciclo vicioso de sensacionalismo midiático, que satura as informações, com pauta sobre a violência, em volume e periodicidade, resultando em uma naturalização dessas notícias pelos cidadãos, e um cenário que, incitado pelos estigmas sociais acerca da população periférica, leva à política de justiçamento. Assim, é evidente que a naturalização da violência é provocada pelo baixo nível de criticidade da população, oriunda de uma educação acrítica, evidenciando que medidas devem ser tomadas.

Segundo Zygmunt Bauman, o medo é uma construção social que controla o indivíduo e suas ações sociais, na qual, numa sociedade capitalista neoliberal em que o Estado é mínimo, a busca por proteção incita a indústria do medo. Nesse viés, o extremo sensacionalismo a respeito da violência leva à busca por seguranças individuais pela população, de classe média à alta, criando espaços seguros excludentes e que confinam a população, na qual permanecem em sua menoridade e afligem seu posicionamento político, gerando, novamente, um ciclo vicioso, dessa vez entre espetáculo e medo. Logo, a necessidade de consciência política da população é evidente e ações precisam ser efetivadas.       Portanto, verifica-se que a espetacularização dada à violência na sociedade brasileira provém de sua naturalização e do medo gerado ao seu entorno. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação o investimento maciço em uma educação libertária, por meio de palestras, disciplinas políticas nas grades e projetos que incitem o pensamento crítico e posicionamento político, aplicadas tanto em escolas quanto em universidades, a fim de que se constitua uma geração questionadora a respeito da sua posição social no mundo. Assim, poderá se romper com a sociedade do espetáculo da violência, de Guy Debord.