Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 26/04/2020
Sempre ácido e critico, Machado de Assis, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, satirizava as hipocrisias e os maus hábitos da sociedade brasileira vividas no século XXI. Ainda que dois séculos tenham se passado desde de a época em que viveu o escrito realista, pouco mudou ao observar consequências da espetaculização da violência pela mídia brasileira. Diante desse cenário, cabe analisar tanto o sem tardar midiático, quanto a distorção de notícias como fatores determinantes dessa esfera, a fim de revertê-lo.
Convém ressaltar, a princípio, que o imediatismo midiático é um fator que dificulta a solução do impasse. Diante disso, Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, acerta ao dizer que as instituições, ideias e as relações estabelecidas entre as pessoas se modificam de maneira rápida e imprevisível, ou seja, imediato. Portanto, a busca dessa fluidez descrita pelo sociólogo, é observável no campo midiático, um vez em que a provedora de notícia se baseia em pensamentos abstratos para evidenciar um fato sem pensar nas consequências futuras.
Ademais, de mesmo modo tem-sê que a distorção de conteúdo configura outro obstáculo para solucionar o problema. À vista disso, o sociólogo Pierre Bourdieu afirma que um instrumento democrático não deve se converter em um mecanismo de opressão. Entretanto, essa conversão é verificada quando a mídia utiliza seu poder expositivo de maneira abusiva e errônea, ou seja, propagando noticias distorcidas e falsas com medidas sensacionalistas influenciando negativamente a visão sobre determinado caso, contribuindo para o prejulgamento.
Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar o impasse. Logo, cabe ao Governo, entidade máxima do poder, promover ações para combater a distorção de fatos e a propagação de relatos falsos. Tais ações deverão ser realizadas por intermédio de denuncias anônimas caso houver ocorrências falsas ou adulteradas, a fim de findar o tem em questão e acabar com a idia do escritor realista.