Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 27/04/2020

Em 2008, no Brasil, o caso de Eloá Pimentel de 15 anos, mantida em cárcere privado no seu próprio apartamento pelo antigo companheiro e posteriormente assassinada, adquiriu repercussão nacional e internacional, tendo cobertura da mídia em tempo real durante as 100 horas de sequestro. Neste exemplo , a mídia preocupou-se em buscar prioritariamente a repercussão e audiência, esquecendo assim de humanizar os familiares e o próprio indivíduo Sob essa perspectiva , é válido discutir sobre a influência midiática nos comportamentos da sociedade , assim como esta se torna propagadora das atitudes violentas expostas pelos veículos de comunicação .

Concomitantemente a isso, o pensador francês Guy Debord classificou de “sociedade do espetáculo”, a forma como nos comportamos na atualidade. Vivemos o fenômeno da espetacularização, o interesse em transformar o rotineiro em show, espetáculo, deixando assim a mídia, de ser um veículo de comunicação prestador de serviço público, no sentido de educar, assumir a responsabilidade social que lhes cabe, para atuar na intenção de dar alta visibilidade ao sensacionalismo.

Em primeiro plano , torna-se imprescindível destacar o conceito dos filósofos Alemães Theodor Adorno e Marx Horckeimer sobre a indústria cultural, esta como sendo produtora da massificação de informações e banalização da violência. Tal fato é confirmado através do aumento no numero de casos de crimes violentos no Brasil, o qual segundo o Ministério da Saúde, ultrapassa os níveis mundiais. Assim podendo-se relacionar a normalização das atrocidades pela mídia e seu caráter manipulador de massas a um apoio implícito à violência.

Evidencia-se portanto que, uma mudança na posição da mídia só irá ocorrer , se houver uma melhor prática da legislação brasileira diante dos crimes ,tal mudança é importante para a diminuição dos casos de violência no Brasil como por exemplo, o já citado anteriormente . Também é necessário uma relação equilibrada de respeito para com os familiares da vítima, a vítima , os espectadores e a audiência da emissora, visando o benefício mútuo.