Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 25/08/2020

Na Roma Antiga, a espetacularização da violência se dava através da luta de gladiadores, sendo essa uma das principais maneiras utilizadas pelas autoridades para distrair a população dos problemas sociais que assolavam a região. Paralelamente a isso, a mídia brasileira tem papel moralizante, o qual deve-se tentar estabelecer um ambiente de debate e reflexão, entretanto, lamentavelmente, as redes midiáticas utilizam-se da nociva banalização das agressões com o objetivo de adquirir audiência. Diante disso, para melhor entendimento acerca da espetacularização da violência por meio dos veículos de comunicação, cabe a análise da incitação à violência e da justiça com as próprias mãos.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o papel da mídia na sociedade é civilizatório, assim, essa deve se preocupar com a transmissão de informações que agreguem ao intelecto da população. Dessa forma, segundo o sociólogo alemão Dahrendorf, “a anomia é uma condição social onde as normas reguladoras do comportamento das pessoas perderam a vaidade”, portanto, pode-se afirmar que a mídia brasileira encontra-se em anomia, já que apela pela transmissão de atos violentos, os quais influenciam negativamente no comportamento dos indivíduos. Por isso, é necessário que o Estado crie um órgão que auxilie na seleção de informações importantes e que tenham valor cultural, social e moralizante, sem infringir com o direito à liberdade de impressa, garantido na Constituição Federal.

Outrossim, cabe destacar que a justiça com as próprias mãos, em muitos casos, é influenciada pela banalização da violência nas novelas, noticiários, jogos e series. Dessa maneira, um exemplo claro disso, sendo reproduzido pelas mídias é a série “Revenge” - a qual a personagem principal volta à sua cidade natal para se vingar daqueles que destruiram sua família -, demonstrando que, apesar de ser uma forma de entretenimento, a mídia utiliza da incitação à violência e da justiça com as próprias mãos para garantir sua audiência, desconsiderando os efeitos prejudiciais que tal atitude pode ter na mente dos telespectadores. Com isso, é imprescindível o enrijecimento, por parte do governo federal, das leis relacionadas ao crime de ódio, a fim de evitar uma possível influência na justiça com as próprias mãos.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para minimizar a banalização da violência pela mídia no Brasil. Para a conscientização da população acerca do problema, urge que o Ministério da Justiça - responsável pela garantia da segurança nacional - invista, através de verbas governamentais, em um projeto de lei que sancione crimes de ódio, relacionados à justiça com as próprias mãos, assim como em em um órgão que auxilie na fiscalização da reprodução de atos de violência, com o objetivo de mInimizar a anomia da mídia, garantindo o retorno de seu caráter civilizatório e cultural e evitar que acontecimentos como os da série Revenge e da Roma Antiga voltem a acontecer.