Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 30/04/2020
A criação da Tragédia, na Grécia Antiga, se caracterizou pela criação de grandes espetáculos teatrais que tinham como um dos objetivos provocar medo na platéia. Desse modo, percebe-se que a realidade grega é concretizada na contemporaneidade brasileira, uma vez que a espetacularização da violência é constantemente incentivada pela mídia no “palco” nacional. Nesse sentido, o empecilho à criticidade e o aumento da violência são consequências da potencialização da “cultura do medo” no contexto social.
Em Farenheit 451, Ray Bradburry descreve uma sociedade marcada pela anulação do pensamento crítico a partir da seletividade de informações pelo governo totalitário. A exemplo disso, o constante processo de manipulação midiática das notícias que são disponibilizadas à população. Dessa forma, evidencia-se o obstáculo à criticidade, visto que o telespectador poderá ter dificuldade de formar sua própria opinião com a informação interpretada pela própria mídia.
Além disso, o aumento dos crimes representa uma realidade cada vez mais materializada. Como prova disso, a violência, amplamente norteada por notícias sensacionalistas, que transforma-se em um cenário comum à população brasileira. A partir desse panorama, percebe-se que a criminalidade torna-se um “acessório” do cotidiano, posto que passa a ser observada como algo normal. Nessa conjuntura, a Banalização do Mal, prevista pela filósofa Hannah Arendt, é concretizada no panorama brasileiro.
Portanto, para que a violência deixe de ser protagonista da “platéia” nacional são importantes medidas de intervenção. Para isso, a atuação do Ministério Público é essencial para o controle da disseminação de notícias distorcidas e sensacionalistas, as quais deverão ser reguladas e analisadas criteriosamente,afim de que não comprometam a formação do pensamento crítico do cidadão brasileiro. Dessa forma, o povo poderá atuar de forma ativa a partir da sua liberdade de pensamento.